Estradas, preço do veículo e habilitação são empecilhos
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sábado, 27 de agosto de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Quem possui um motorhome e conhece do assunto aponta basicamente três fatores que inibem a expansão desse estilo de viajar no Brasil: a má qualidade das estradas; a legislação de trânsito que exige habilitação específica; e o preço do veículo.
O agricultor Zezo Moreira alerta os eventuais interessados de que é preciso saber dirigir bem para conduzir com a responsabilidade necessária um motorhome pelas estradas brasileiras, pois dentro do ônibus viaja parte da família e da casa. A má qualidade das rodovias, em boa parte dos estados, acaba desestimulando possíveis viajantes.
O professor universitário, Antônio Fernando Brunetto, que viaja de motorhome desde 1986, completa que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) exige, no mínimo, habilitação na categoria ''D'', necessária para conduzir veículos de passageiros com lotação maior que oito pessoas, ou categoria ''E'', para rebocar unidades com mais de seis mil quilos de peso, traileres ou com lotação maior que oito passageiros. De acordo com ele, a legislação que entrou em vigor em 1998 errou ao exigir habilitação específica aos condutores de traileres. ''Isso não existe em nenhum lugar do mundo'', critica.
Para o mercado, analisa Brunetto, o resultado dessa nova lei foi imediato e algumas fábricas importantes encerraram suas atividades no final dos anos 90. Só a partir de 2004, é que o mercado voltou a se aquecer. Em Londrina, segundo ele, existem 12 motorhomes e a frota aumenta de uma a duas unidades por ano. Na Europa e Estados Unidos, países com maior poder aquisitivo e boas rodovias, existem verdadeiras legiões de estradeiros apaixonados por esses veículos.
Além das estradas e da legislação, o terceiro fator que inibe uma expansão mais rápida desse estilo de viajar no país é o preço das máquinas. A indústria não divulga sua tabela mas os valores podem variar de R$ 50 mil a até R$ 500 mil, dependendo do modelo, do ano de fabricação e dos equipamentos e acessórios acoplados. Mesmo assim, os proprietários apontam que existe um comércio forte para ''motorhomes'' no Brasil e que, ao contrário do que muitos pensam, esses veículos não sofrem desvalorização rápida.


