Os estoques de automóveis nos pátios continuam altos. Há perto de 120 mil veículos nas revendas, o suficiente para quase 50 dias de vendas, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave). Segundo o presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, o ritmo das vendas diminuiu. ‘‘Começamos a vender mais rapidamente somente nos primeiros dias após o anúncio da queda do IPI; depois o ritmo voltou a cair’’, disse.
Para evitar mais prejuízo, a indústria automobilística pediu ao governo prorrogação até o próximo mês da redução extra de dois pontos percentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), concedida somente para os fabricantes e válida até a semana passada para que a indústria pudesse compensar a redução do tributo nos carros em estoque.
O dirigente disse que consultou o governo sobre a possibilidade de estender o benefício. Mas não obteve resposta. Com a crise e a alta dos juros, o mercado encolheu. As montadoras começaram, então, a parar diversas linhas, concedendo férias coletivas. Com isso, o faturamento também parou. E a quantidade de veículos em estoque equivale quase que praticamente ao que o setor tinha na época da redução do IPI.
Segundo o presidente da Anfavea, dados fornecidos pelos concessionários indicam que o mercado ‘‘ficou morno’’ no final de semana. Nos primeiros 10 dias do mês as vendas no varejo caíram 12%, segundo a Anfavea. Mas não existe ainda uma projeção para o mês. Tudo indica uma queda em relação a agosto em razão da alta dos juros.
A entidade ainda mantém a projeção de queda de 15% nas vendas este ano, o que equivaleria a um volume de 1,7 milhão de unidades. No ano passado, foram vendidos 1,9 milhão de veículos no Brasil, incluindo os importados. Mas, para que essa queda não seja mais acentuada, as vendas precisam crescer nos próximos dois meses.
Ou seja, para cair 15% na comparação com o ano passado as montadoras têm que aumentar a média mensal até dezembro, já que no acumulado do ano, o setor amarga uma retração de 23%. Para isso, Pinheiro Neto espera que o consumidor antecipe compras que faria em janeiro para se livrar de novo aumento de IPI.
O governo já anunciou o aumento de IPI para várias faixas de mercado de carros a partir de 1º de janeiro. O carro popular será o mais afetado. A alíquota do imposto subirá de 8% para 13%, o que representa uma elevação de preço entre 4% e 5%. A Anfavea deverá formalizar nos próximos dias pedido para que essa medida seja revista. O presidente da Anfavea prevê que isso criará dificuldade adicional.
Segundo o presidente da Anfavea, as montadoras estão ‘‘esgotando o estoque de medidas’’ para se adequar à queda de demanda. Seja por meio de férias coletivas ou banco de horas.

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