'Estamos próximos de alcançar níveis de poluição da Europa'
A atual legislação brasileira talvez levante dúvidas em relação à capacidade do País em renovar sua frota. No entanto, para o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina, Gerson da Silva, isso não será problema.
De acordo com ele, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) está atento às necessidades do País em reduzir a poluição ocasionada pelo trânsito e com frequência atualiza as normas do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). ''Estamos muito próximos de alcançar os níveis de poluição praticados na Europa e nos Estados Unidos'', diz.
A resolução 403 de 2008 estabelece novos parâmetros para carros pesados movidos a diesel. Segundo o disposto, desde janeiro deste ano, para serem comercializados os veículos teriam que apresentar novos níveis de emissão poluente. Já a resolução 415 de 2009, estabelecida para veículos leves até 3,8 mil quilos (carros de passeio), determina que eles terão que apresentar menores índices de poluição entre 2013 e 2015.
Silva analisa que ao longo dos últimos anos, tanto o governo federal quanto a indústria nacional se mostram interessados em reduzir a poluição dos automóveis, mas ainda há muito que avançar no Brasil. ''Apenas a indústria adotar essas mudanças é difícil porque isso tem repercussão em seu lucro. Mas já existem automóveis híbridos, por exemplo, o que já é um grande avanço'', avalia.
Segundo o coordenador, esse tipo de automóvel reduz em até 50% a emissão de gás carbônico e há uma economia de 20% a 30% no consumo de combustível. Embora a perspectiva seja boa, Silva acredita em uma mudança passo a passo e não arrisca uma projeção quanto à total alteração da frota nacional. ''Assim como foi preciso de um tempo para substituir os carros a gasolina para os com opção a álcool e posteriormente os veículos flex, assim será também com os novos automóveis'', pondera.
Silva argumenta que, embora possa levar um tempo, esse é um processo que terá de ocorrer e será benéfico em todos os sentidos. ''O petróleo terá um fim e o álcool vindo da cana de açúcar degrada o solo. Do ponto de vista ambiental, essa mudança é importante e talvez os carros híbridos sejam o início desse processo'', afirma. (V.F.)





