Arquivo FolhaTodo mês é entregue um carro através de sorteio e outro por lance No terceiro aniversário do Plano Real, os preços dos carros, mesmo dos chamados populares, estão cada vez mais impopulares. Além de caros, os automóveis convivem com taxas de financiamento que chegam a ofensivos 40% ao ano. Esse meio-ambiente econômico é ideal para fermentar o crescimento dos consórcios. Essa modalidade de compra foi um jeitinho inventado no Brasil exatamente para suavizar o impacto dos preços nos bolsos terceiro-mundistas que povoam o País.
Do total de 524.726 veículos nacionais comercializados no mercado brasileiro este ano até abril, os consórcios tiveram uma participação de 120.994 unidades, o que representa 23% do mercado. Durante todo o ano de 1996, as contemplações de veículos em consórcios chegaram a 313.621 unidades, sobre um total de vendas de 1.453.622 automóveis. Ou seja: 21,5% do total.
No setor de duas rodas, os consórcios são ainda mais importantes. Eles respondem por 54,1% das vendas, ou 59.921 unidades de um total de 110.622 motos vendidas até abril. De janeiro a dezembro de 1996, as vendas de motos através de consórcios haviam somado 132.512 unidades, ou 48% das 275.668 motocicletas comercializadas. Por sinal, com preços mais acessíveis, o mercado de motocicletas e motonetas vive nesse terceiro aniversário do Plano Real um boom sem precedentes.
Divulgação54,1% das motos são vendidas através dos consórcios
Os números comprovam: o consumidor brasileiro acredita cada vez mais que os consórcios são uma boa alternativa. Eles reúnem mais de 2,6 milhões de brasileiros, que participaram ativamente de grupos de consorciados desde o início deste ano. Desses, 274.130 foram contemplados com os bens propostos. Se a inflação galopante e os sucessivos planos econômicos equivocados fizeram consórcios antigos e até tradicionais fecharem suas portas, a estabilização da economia nacional permitiu ao consumidor planejar sua compra a longo prazo, sabendo quanto e quando vai pagar.
Quem mais atrai os consumidores brasileiros aos consórcios são os automóveis de passeio. São mais de 1,4 milhão de consorciados - sendo que 85% estão de olho nos modelos populares. Em segundo lugar, os mais procurados são as motocicletas e motonetas, com mais de 590 mil participantes. Os eletroeletrônicos ocupam a terceira colocação nesse ranking. Veículos pesados, basicamente caminhões, aparecem em quarto lugar, com a preferência de pouco mais de 75 mil pessoas. Importados são o sonho de consumo de 19 mil participantes de consórcios no Brasil.
Como todos os sistemas de compras, os consórcios têm seus prós e contras. A maior desvantagem é a possibilidade de ter que amargar até cinco longos anos para pôr as mãos no veículo. Os prazos dos consórcios, que já variaram de seis a 36 meses, foram ampliados para 50 e 60 meses. Com a decisão do governo de criar um novo programa nos moldes do Proálcool, os consórcios ganharam mais uma vantagem: os prazos para carros a álcool serão estendidos em 12 meses.
Além disso, o governo deixou de fixar o número de automóveis entregues por lances e por sorteios, bastando que o consórcio combine com o grupo e deixe o combinado claro no contrato. Antes, os consórcios só podiam liberar um carro por sorteio e outro por lance a cada mês.
Na prática, um consórcio funciona como uma cooperativa. Um grupo de pessoas se reúne para criar uma poupança e financiar um bem. A administradora apenas facilita a criação dos grupos e se encarrega dos trabalhos burocráticos, cobrando uma taxa por esse trabalho, que oscila entre 10% e 15% do valor do veículo. Por exemplo, no caso de um carro que custe R$ 15 mil, a taxa a ser paga será de R$ 1.500 a R$ 2.250, no máximo.
Esses valores são válidos por todo o período do consórcio. Ou seja, números vantajosos se comparados às taxas de financiamento, que variam de salgados 20% a indecentes 40% em um ano - a inflação, nos últimos 12 meses, não passou de 10%. Ao entrar num consórcio, é cobrada uma taxa de adesão - que varia entre 1% e 4% do valor do carro -e a primeira mensalidade. Se a opção for por uma administradora não ligada a uma montadora, verifique se existem reclamações contra ela no Procon ou na Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios - ABAC -, pelo telefone (011) 231-5022.

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