Esquecidos no tempo
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de janeiro de 2013
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Senhores que não têm vergonha de deixar transparecer as marcas deixadas pelo tempo. Esse é o paralelo que se pode traçar entre os donos e seus carros quando se trata do Hoodride. Pelo menos é o que defendem alguns aficionados pelo estilo.
O gênero consiste em preservar no carro os danos que ele venha a sofrer, seja por riscos, exposição da pintura ao sol ou qualquer outro aparente defeito estético, além de rebaixar os veículos e colocar rodas um pouco mais trabalhadas. Há ainda aqueles que dão uma "envenenadinha" no motor.
Outro fator interessante é que no Hoodride devem prevalecer carros populares, por isso Fuscas e Kombis são costumeiramente encontrados sob a guarda desses colecionadores. "Essa cultura é bem similar ao Rat Hot, só que naquela vertente os colecionadores costumam mexer com automóveis mais possantes. Provavelmente o Hoodride surgiu justamente entre pessoas que gostavam do Rat, mas não tinham dinheiro para comprar carros de maior custo", explica Gustavo Narimatsu Foganholi, adepto do movimento.
Ele diz que Londrina ainda tem poucos colecionadores que curtem o estilo um pouco descuidado dos automóveis. Proprietário de um Fusca 1967 e de uma Kombi 1973, o mecânico conta que seus dois carros estão com a mecânica em dia, mas reconhece que quem vê pela primeira vez, talvez se incomode. "O Hoodride consiste em não ligar para a estética do carro, mas a mecânica sempre boa e as rodas imponentes. No Fusca as rodas são as mesmas do Porsche 911 1972", afirma.
Segundo Foganholi, engana-se quem acha que o Fusca, por exemplo, não exigiu certo investimento. De acordo com ele, foram colocadas além das rodas, motor, caixa de direção, suspensão e interna nova. "A mecânica é a do Fusca mesmo com motor 1500 em perfeito estado de uso", garante.
O mecânico comenta que nunca sentiu nenhum tipo de resistência por parte das pessoas, mas acredita que a maioria realmente desconhece a cultura que envolve o Hoodride. "Nunca ninguém me parou perguntando se eu não gostaria de reformar o veículo ou algo do tipo. Quando sou parado é mais para comentarem o estilo mesmo", aponta.
Na Kombi caçamba, a mecânica original foi preservada. A principal mudança é na alavanca de marchas grande. Já a estética do utilitário denota ainda mais problemas que o Fusca. Não existem vidros, nem limpadores de para-brisa e até os retrovisores foram arrancados. Apesar do estado ruim, ele atesta que utiliza a Kombi vez por outra no dia a dia.
Questionado sobre nunca ter sido parado pela polícia pela falta dos retrovisores, Foganholi comenta que as características do carro são respeitadas pelas autoridades justamente por se tratar de uma cultura. "Nunca tive problemas ao circular pela cidade e tem gente que me conhece por causa da Kombi diferenciada."


