Esportivo compacto, na cor vermelha e com brasões espalhados em alguns pontos de sua estrutura, que enchem seu design de estilo e tornam a marca fácil de ser reconhecida. Analisar apenas essas características pode induzir a pensar que se trata de uma Ferrari, no entanto, existe um automóvel, produzido totalmente no Brasil, capaz de chamar a atenção tanto quanto as máquinas da escuderia italiana por ter características visuais relativamente parecidas.
O Puma GTE ficou conhecido como o mais famoso esportivo "made in Brazil". É bem verdade que a mecânica é muito mais modesta do que as dos carrões italianos ou qualquer outro esportivo estrangeiro. Os motores eram encontrados nas versões 1.6 e 2.1 e seguiam os padrões Volkswagen, principalmente do Fusca. "'Quando era criança e via os Pumas eu achava que nunca teria um, pensava que eram importados. Um dia comprei uma publicação que contava que a mecanização era a mesma do Fusca, passei a achar o sonho algo possível", lembra Danilo Crosxiati, técnico em radiologia e proprietário de um GTE ano 1977.
Essa linha do Puma foi a que teve o maior número de unidades produzidas pela marca. Estima-se que tenha passado de 8,7 mil. Um GTE, em sua época, apresentava ainda freios a disco nas rodas dianteiras, quatro marchas mais a ré e pesava cerca de 750 quilos.
Diferente do original, o carro de Crosxiati possui motor 1.500 com um carburador, segundo ele, uma opção para facilitar os cuidados com o automóvel. "A manutenção do 1.500 é mais tranquila. Qualquer Fusca com a mesma motorização serve", explica.
Há seis anos com o automóvel, o técnico explica que ainda existem alterações necessárias no veículo para que fique completamente restaurado e original. No entanto, a vontade de estar a bordo do Puma é tanta, que sempre que possível ele dá uma volta ou leva o GTE para encontros.
Entre as alterações que considera fundamentais, estão a troca do atual banco - hoje o mesmo do Corsa - por um concha dos anos 1970, conseguir um friso dianteiro novo, comprar um jogo de para-choques e, principalmente, pintar o carro de amarelo Puma. As mudanças, a conta-gotas, têm algumas justificativas. A primeira é financeira e a outra é o preciosismo do proprietário, que procura ter o máximo de originalidade possível em seu veículo.
Ele reconhece que o carro já não havia sido comprado em um bom estado de conservação mas, por preservar os brasões e outros detalhes nos painéis e volante, ele achou que seria um bom negócio e assim realizaria o sonho que começou na infância.
Crosxiati lembra que viu seu primeiro Puma quando tinha 4 anos de idade e foi paixão à primeira vista. Ainda no final dos anos 1990, já na adolescência, chegou bem perto de um, quando seu pai comprou uma unidade, mas pouco tempo depois precisou vendê-la. "Lembro de uma vez que meu pai se acidentou com o Puma e eu fiquei muito preocupado com o carro", diz.
O amor do rapaz pela marca, aliás, contagiou membros de sua família. Ele revela que a cada peça conseguida, a festa de todos é grande e, muitas vezes, são parentes próximos e até a namorada que ajudam na busca. "Esses dias minha namorada passou o dia me ajudando a retirar o insulfilm para que pudesse colar o selo que vai na traseira."
A namorada em questão é a secretária Adriana Prezotto que confirma o amor de Crosxiati pelo carro. "Se ele consegue uma peça, mas não pode comprar na hora, fica dias sem dormir", garante. Ela sabe que terá que dividir as atenções com o carro e conta que já até aprendeu a gostar de antigomobilismo por causa do namorado.
Que a paixão do técnico em radiologia é grande é inegável, mas como será quando o carro for concluído e o Puma estiver completo. "Uma das coisas mais gostosas que tem é procurar e batalhar por cada peça. Não sei como será quando terminar. Hoje é certo que vendo tudo o que tenho menos o Puma", crava.

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