Um carro esportivo, que ajuda a encurtar as distâncias, mas ao mesmo tempo oferece um bom padrão de luxo e conforto aos passageiros. Assim é a Maserati 3200 GT, primeiro produto totalmente desenvolvido pela Maserati, sob a gestão da Ferrari. O cupê, que foi apresentado no Brasil em 98 durante o Salão do Automóvel, em São Paulo, esteve essa semana sendo avaliado em Curitiba pela imprensa automotiva. A reportagem do Carro & Cia. foi um dos avaliadores num trecho de ida e volta até Morretes a partir de Curitiba, num total de cerca de 130 quilômetros.
O carro impressiona em vários aspectos. Para quem gosta de sentir-se colado ao banco a cada troca de marcha, e olhe que são seis marchas , o veículo, com seu propulsor biturbo V8 a 90 graus com capacidade para gerar 370 cavalos de potência, é mais do que perfeito. Com acelerador eletrônico, que responde rápido a cada pisada, o carro não demora para estar quase voando. Para chegar a 100 km/h leva apenas 5,12 segundos. A velocidade máxima registrada no velocímetro é de 280 km/h.
O carro impressiona também pela segurança. Curvas fechadas são vencidas sem maiores problemas. Se o condutor abusar um pouco e entrar ''chutado'' demais na curva, pode pisar no freio que o ABS garante a estabilidade. Aliás, o 3200 GT possui uma central digital que comanda o sistema ASR de controle de tração das rodas traseiras, os freios ABS, a injeção do combustível e um acelerador eletrônico, formando um sistema antiderrapagem. Mas a sensação é de que o carro literalmente cola no chão, transmitindo segurança na condução.
A mais de 200 km/h o carro balança um pouco na frente, mas não o suficiente para inibir um pouco mais de aceleração no pedal que, nesse momento, ainda está longe do assoalho do carro. Com os vidros fechados e o som desligado, houve-se apenas o ronco gostoso do motor, que não denuncia que o veículo já está beirando os 200 km/h. Para os mais desavisados, é bom ficar de olho no velocímetro.
Com tanta potência, que beira as das Ferrari, viajar com um carro assim fica fácil. Carros na frente e subidas não são obstáculos. A viagem também fica mais gostosa pelo conforto do esportivo. O 3200 GT conta com recursos ergonômicos que proporcionam conforto aos dois bancos traseiros, com apoio para cabeça. Os assentos e encostos côncavos permitem melhor acomodação dos passageiros. É claro que o espaço na parte traseira não é dos maiores em se tratando de um cupê.
Na frente, com comandos elétricos para ajuste dos bancos, motorista e passageiro ficam bem confortáveis. E esse ajuste é importante caso você tenha mais que 1,80 m, senão a cabeça fica esfregando no teto do veículo. O banco de couro com aquecimento e o revestimento em couro do volante, portas e painel ampliam a sensação de aconchego, enfatizada pelos sistemas de sonorização e climatização, com diversas saídas.
O carro ainda tem uma vantagem. O visual é esportivo e agressivo, mas até discreto se comparado a uma Ferrari, por exemplo. Com isso, o veículo tem sido bastante usado por alguns dos seus donos no dia-a-dia. Aliás, por poucos donos. Desde que o modelo começou a ser comercializado no Brasil, há dois anos, apenas 57 apaixonados adquiriram o 3200 GT. O motivo disso? Talvez o preço seja uma explicação. Quem quiser ter uma 3200 GT na garagem tem que desembolsar US$ 170 mil dólares pelo modelo manual e US$ 180 mil pela opção com câmbio automático. Além disso, vai ter que desembolsar cerca de US$ 10 mil para fazer o seguro e andar com o bolso cheio de dinheiro para encher o tanque de 85 litros que se esvazia rapidamente em função do consumo de três, quatro quilômetros por litro na cidade. Mas, convenhamos, quem compra um carro assim não está preocupado com isso. Realmente é para poucos.

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