Especialistas dão dicas para não entrar em enrascadas
Antes de fechar qualquer negócio é fundamental se atentar a detalhes cruciais. Segundo Leonardo Motta, gerente de semi-novos, os clientes devem tomar os mesmos cuidados que concessionárias e estacionamentos utilizam na hora de comprar um veículo. Geralmente, antes de adquirir qualquer carro ou quando for trocar o usado por um novo, existe um avaliador que observa se não há vestígios de batidas, condições do motor (se foi refeito ou está vazando), problemas no câmbio e retoques na pintura.
''Numa primeira olhada o avaliador já detecta qualquer defeito que comprometa o negócio. Só a pintura que necessita do crivo de um especialista'', conta, lembrando que quando o problema é maior o ''veículo é encaminhado para outras empresas''. ''Ficamos somente com os bons para a venda'', alega.
Ele explica que a concessionária ''segue normas da montadora para comércio de usados'', a exemplo do programa de fidelidade chamado SIGA, que dá três meses de garantia total e um ano para o motor e câmbio. Como a proporção de veículos deste tipo corresponde a 40% dos negócios da loja, afirma Motta, a triagem é fundamental.
Outro detalhe crucial é checar a origem do veículo por meio da documentação. Poucos sabem, mas quando uma pessoa física ou jurídica é condenada a pagar algum tipo de indenização, como dívidas trabalhistas, qualquer bem que conste na época da ação pode ser confiscado mesmo que já tenha sido vendido. Segundo Motta, uma empresa terceirizada investiga a origem do carro desde que ''nasceu'', para evitar contratempos futuros.
''Você consegue acessar o histórico do primeiro, segundo e terceiro donos. Também é possível saber se existem dívidas e se o carro está comprometido. Hoje em dia é comum comprar um carro e aparecer um bloqueio judicial devido a dívidas trabalhistas, fiscais, entre outros'', explica, ressaltando que é comum perder carros por dívidas ativas, inclusive pendências referentes ao IPVA.
Outra preocupação que o consumidor deve ter antes de fechar qualquer negócio é verificar se a marcação do hodômetro (contador de quilometragem) está de acordo com as condições do veículo. É muito comum haver adulteração por parte do antigo dono, para aumentar o valor de mercado do bem, mas também é possível saber se o desgaste do carro é maior que o indicado.
Motta aconselha observar as condições dos pedais de freio, embreagem e acelerador, volante, câmbio, desgaste dos bancos e tapetes internos, além da data de fabricação de peças originais. ''São detalhes que podem dar uma pista da real condição do carro. Se as peças estiverem muito gastas, isso quer dizer que o carro já foi muito usado. Por isso a quilometragem pode não bater'', explica.
Mas o maior cuidado que o comprador deve ter é a origem da empresa com a qual irá fechar negócio. Quando o assunto é optar por estacionamentos multimarcas, Motta acredita que empresas com mais tempo de funcionamento no mercado são seguras. ''Não temos uma ligação direta, mas há parceiros para os quais entregamos alguns carros que não ficam na concessionária'', explica.
O gerente não recomenda negócios com empresas que ''nasceram há muito pouco tempo''. ''Quem tem menos de um ano de atividade pode ficar desconfiado. Tem que procurar empresas mais alicerçadas e tradicionais na cidade'', conta. (R.O.)





