Curitiba - Quando o carro da professora londrinense Dejaíra Moretti sofre uma pane, ela imediatamente liga para o marido. ''Sendo mulher, é mais fácil ser passada para trás pelo mecânico'', diz. Por isso, a motorista, que dirige há 25 anos, prefere pedir ajuda de alguém confiável. Dejaíra já conhece coisas básicas. Quando o carro está superaquecido, soube que deve-se colocar um pano frio. ''Só não sei onde'', brinca. Para evitar passar por constrangimentos ela resolveu fazer um rápido curso de mecânica para mulheres. Aos poucos a professora descobre as verdades e mentiras do universo automotivo.
Promovido pela Servopa Automóveis, em Curitiba, o curso é básico e aborda situações e cuidados importantes para as mulheres. Elas descobrem dicas de como negociar na hora de realizar reparos mecânicos, aprendem o que significam todas as luzes de advertência do painel e passam a entender como funciona a mecânica do veículo.
O encarregado de assistência da empresa, Elcio Bergossi, tem a tarefa de passar os conhecimentos que têm sobre carros às mulheres matriculadas no curso. ''Elas têm mais dúvidas sobre o funcionamento dos automóveis. Muitas têm medo e não sabem o que fazer quando recebem o diagnóstico do mecânico'', conta.
A aposentada Verônica Ostaszevski dirige há 39 anos e nunca teve muitos problemas com carros. Até o ano passado ela dirigia aproximadamente mil quilômetros por dia, entregando encomendas de flores. Nestas quase quatro décadas Verônica já teve dois Fuscas, duas Belinas, um Galaxy, um Corcel, três Bestas e, atualmente, uma Parati Surf. Com toda essa experiência, ela chega a dar aula para os mais novos. ''O namorado da minha neta não sabia onde ficava o macaco do carro. Tive que mostrar para ele''. Mesmo assim, a aposentada resolveu participar do curso e aprender ainda mais sobre o mundo automotivo. ''Os carros novos tem funções diferentes e gosto de saber como eles funcionam'', explica.
Bastante interessada em aprender tudo sobre carros, a fonoaudióloga Vilma Christina de Castro participa pela segunda vez de um curso de mecânica. Porém, na primeira ocasião ela não conseguiu tirar todas as dúvidas, já que as aulas também eram assistidas por homens. ''As minhas perguntas eram muito básicas e eles podiam não gostar. Aqui as minhas dúvidas são levadas a sério. Afinal, não temos que entrar sabendo. Parece que os homens já nascem com óleo'', brinca.
Vilma dirige desde 2005 e tem dúvidas que não podem ser consideradas tão básicas. No curso ela estava interessada em saber a diferença entre o freio normal e o ABS. Também buscava por informações sobre o calço hidráulico para dirigir em regiões alagadas. ''Sei que a água não pode ultrapassar o motor''.
Na última vez que a contadora Eliane Leal levou o carro na oficina, gastou R$ 1 mil. ''Tive problema no meio da estrada e fiquei dois dias sem carro. Acho que eles trocaram peças boas. Agora quero conhecer a sistemática do automóvel para evitar ser passada para trás. Afinal, uso o veículo todo dia'', disse.

Dúvidas

Bergossi conta que as dúvidas mais comuns entre as mulheres são a respeito do funcionamento e manutenção do veículo. As alunas também se interessam em conhecer quais são as verificações periódicas necessárias para o bom funcionamento do carro, como os níveis de fluidos de óleos, os cuidados na dirigibilidade para evitar o desgaste do automóvel e a observação do tempo de inspeção para não perder a garantia.
O curso também aborda as funções da suspensão do carro. Elas aprendem a importância da mola e do amortecedor na hora de passar por lombadas ou obstáculos.
Serão realizadas mais edições do curso de mecânica para mulheres mas ainda sem data agendada. Informações: (41) 3330-2006.

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