Entre os Flex, Clio se destaca pela potência
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domingo, 02 de janeiro de 2005
Mauricio Della Barba 
A Renault foi a quinta montadora do País a oferecer um modelo bicombustível no mercado. O Clio Hi-Flex, lançado durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro passado, foi apresentado entre os demais com um chamariz importante: é o primeiro carro flex equipado com motor de 16 válvulas. Gol, Corsa, Palio e Fiesta oferecem a opção unicamente em motores de 8 válvulas. O
que isso significa? Basicamente, potência.
Entre a geração bicombustível, o Clio Hi-Flex é o mais potente da categoria. Seu motor, de 1.6 litro, gera prazerosos 115 cv, o suficiente para deixar qualquer motorista contente e seguro em um automóvel. Na avaliação feita pela Folha Carro & Cia, a diferença foi percebida no pára-e-anda do trânsito urbano e nas estradas. Ao pisar o acelerador percebe-se que a força do motor, principalmente em arrancadas e ultrapassagens, é progressiva e eficiente, mantendo o carro sob o total controle do motorista.
Segundo a Renault, o Clio Hi-Flex pode atingir os 194 km/h de velocidade máxima e acelerar de 0 a 100 km/h em 9,3 segundos. Quanto ao consumo, durante a avaliação, o Clio abastecido somente com álcool no tanque fez uma média de 7 km/l na cidade e 9 km/l na estrada. Só com gasolina, a média de consumo passou para 8 km/l (cidade) e
10 km/l (estrada).
Apesar da potência extra, o Clio Hi-Flex apresentou-se um pouco seco durante as trocas de marchas. Os engates são fáceis, mas não há um sincronismo entre a rotação do motor e a embreagem. Traduzindo na prática, as mudanças de marchas não são sutis e, na maioria das vezes, o motorista sente o pescoço balançar com as engasgadas dos engates. O constante movimento da alavanca de câmbio, que não pára de tremer enquanto o carro está em funcionamento, também deixa o motorista preocupado, mas não chega a prejudicar o desempenho e nem afetar a segurança.
Fora isso, o Clio, como em suas outras versões, é gostoso de dirigir. Motorista e passageiros ficam à vontade no carro, que oferece um espaço agradável em comparação com seus rivais. Visibilidade e estabilidade também são outros pontos positivos do compacto da Renault. O que peca mesmo é a ergonomia. A localização dos comandos dos vidros elétricos no console central é incômoda. Para usá-los é preciso inclinar-se e por alguns segundos, desviar o olhar do trânsito, para encontrar os botões, de acionamento nada prático. Outro problema está nos interruptores da buzina no volante. Pequenos demais para ser encontrados e utilizados em situações de emergência no trânsito.
Esteticamente, o Clio bicombustível mantém o desenho das outras versões. A única diferença está na inscrição Hi-Flex na tampa do porta-malas. A capacidade de bagagem, de 255 litros, é razoável.
Em termos de preço, o Renault Clio é um dos mais em conta do mercado, se levarmos em conta que o modelo já vem equipado de série com air bag duplo e direção hidráulica, itens opcionais nos adversários. A versão hatch inicial, custa cerca de R$ 32.990. O preço dos seus concorrentes são: Chevrolet Corsa 1.8 FlexPower Joy (R$ 31.869); Fiat Palio ELX 1.3 litro
(R$ 26.740); Ford Fiesta Flex 1.6 litro (R$ 28.940); Volkswagen Fox 1.6 litro Total Flex (R$ 31.080); e Gol Plus 1.6 Total Flex (26.411).
Resumindo, o Clio Hi-Flex é próprio para quem procura um carro bicombustível potente, com uma boa relação custo/benefício e não se incomoda com design e ergonomia.


