Estimativas do Ministério da Saúde indicam que mais de 1,2 mil crianças morrem anualmente no Brasil em decorrência de acidentes de automóveis. Cerca de 70% desses óbitos poderiam ser evitados com a utilização correta de um equipamento de segurança. Um grupo de cinco alunos do mestrado profissional em engenharia automotiva, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), estudou o assunto e propôs soluções para a melhoria dos assentos de segurança infantil utilizados nos veículos.
Segundo os pesquisadores, também engenheiros da General Motors do Brasil, a complexidade do produto e a falta de informação dos pais contribuem para o alto índice de mortes. Por isso, os estudiosos aplicaram conhecimentos adquiridos nas aulas para encontrar soluções. Carlos Ney Mendes, um dos autores do trabalho, afirma que o número de óbitos em acidentes de trânsito poderia ser extremamente reduzido se as crianças estivessem instaladas em assentos seguros, apropriados para elas: ''Segundo a National Highway Traffic Safety Administration (entidade norte-americana cujo objetivo é pesquisar e prevenir acidentes de trânsito), o risco de perder a vida diminui em até 71% para quem tem até um ano de idade e utiliza assento seguro''. Eduardo Martins, outro participante, acrescenta que aproximadamente 80% dessas cadeiras são colocadas incorretamente, proporcionando falsa idéia de segurança.
''Optar por um sistema que garanta a segurança de seu filho em caso de acidente de automóvel não é tarefa fácil para os pais. Há vários detalhes, como escolher o dispositivo em virtude do peso do menor, além das nomenclaturas e aplicações bem específicas. Essa complexidade colabora para a aquisição de produto muitas vezes não-apropriado e instalação ineficiente'', afirma Martins.
Adinan Celso Brandão comenta que o grupo optou por desenvolver um modelo de assento com o objetivo de compreender a funcionalidade de cada parte do equipamento, sugerir melhorias, minimizar erros de acomodação e definir novos conceitos. Um dos principais entraves à correta colocação do equipamento é a força necessária para adaptá-lo ao banco do veículo e travá-lo. Os engenheiros sugeriram três possibilidades de aperfeiçoamento: adoção de uma catraca na estrutura do assento, visando a diminuir a força empregada na instalação; colocação de uma alavanca nas laterais, a fim de reduzir o esforço necessário para montagem; e criação de base independente que fique fixa no automóvel, facilitando a sua utilização em outros carros. Desse modo, uma família com dois carros teria duas bases, podendo transferir a cadeira de um para o outro, sem dificuldade e com segurança.
Ao analisar o custo de fabricação dos componentes sugeridos, investimentos necessários, sem dificuldade de montagem, menor esforço e tempo gasto na colocação, os alunos concluíram que a alternativa mais apropriada seria a adoção de um conceito diferente, de base e estrutura. Na opinião da equipe, todos os produtos deveriam ser acompanhados de manual bem ilustrado para evitar erros na montagem. Análise do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) indicou que os principais problemas das cadeiras infantis para automóveis são as marcações e instruções obrigatórias - que deveriam aparecer na embalagem e nas próprias cadeiras - e os manuais de instrução, que não orientam adequadamente como deve ser feita a instalação.

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