Encosto-de-cabeça: um santo protetor
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sábado, 16 de abril de 2005
Da Redação 
Apesar de estar presente na maioria dos carros, poucos sabem qual é a sua real importância. Tão relevante quanto o cinto de segurança, o encosto-de-cabeça faz parte do que a engenharia automotiva chama de segurança passiva de um carro, ou seja, os equipamentos que protegem sem a necessidade de uma ação física ou mecânica, simplesmente atuam pelo fato de sua existência.
O encosto-de-cabeça evita traumatismos em caso de acidente de trânsito, pois elimina o efeito chicote, que pode ocorrer em caso de batida na traseira do carro. O efeito chicote ocorre quando, por inércia, a cabeça do passageiro é jogada para trás, devido ao impacto da batida e, logo em seguida, retorna bruscamente para a frente.
O efeito pode ocasionar lesões na medula espinhal e fraturas de vértebras, entre outros problemas. Na maioria dos casos a lesão é irreverssível e pode causar a tetrapelgia, que é a perda dos movimentos dos braços e das pernas. Também pode causar a morte, dependendo da altura da lesão. Ou seja, quanto mais para cima da medula espinhal for o trauma, mais perigoso é, pois o centro do controle da respiração fica próximo à raiz da 3 vétebra cervical.
Embora tenha entrado em vigor em 1999, a exigência do encosto-de-cabeça no banco traseiro do carro não vale para todos os modelos produzidos no Brasil. A legislação que rege o assunto deixa uma brecha para as montadoras. A resolução de número 44, do Contran, datada de 1998, permite que o encosto-de-cabeça seja suprimido nos veículos com plataforma projetada antes de 1999. Daí vem o fato de a Volkswagen não oferecer esse equipamento de segurança no ''Gol'', nem como opcional, o mesmo ocorrendo com o Ford ''Ka''. A Fiat oferece o encosto-de-cabeça no ''Uno'', mas em meio a um ''pacote'' de opcionais que inclui preparação para som e vidros e travas elétricos.
Outro detalhe da maior gravidade é a exigência atual do apoio-de-cabeça apenas para os lugares laterais do banco traseiro. No centro, onde pode ir outro passageiro, fica a critério das montadoras colocá-lo ou não.
Na prática, os modelos que não são equipados com encosto-de-cabeça no banco traseiro se situam numa faixa de preço na qual qualquer quantia a menos no preço final do carro pode atrair uma quantidade considerável de compradores.
Pesquisas indicam que 15% das batidas de carro são de traseira. Para evitar problemas basta regular o encosto-de-cabeça corretamente: o topo do ''encosto'' deve ser posicionado, no mínimo, na altura dos olhos do ocupante do banco do carro.
COMO AJUSTAR O ENCOSTO
1º) O topo do apoio deve estar nivelado com seus olhos. Um apoio baixo permite que a cabeça se incline para trás, com risco de lesão. Caso tenha dificuldade para entender o alinhamento com os olhos, apalpe a parte óssea mais proeminente atrás de seu crânio.
2º) Regule a inclinação do banco de modo que o apoio não fique afastado mais de 70 milímetros da cabeça.
3º) Quando estiver dirigindo, pressione a cabeça contra o encosto-de-cabeça periodicamente, para ajudar o corpo a identificar a posição correta da cabeça.
4º) Não se esqueça de explicar a todos os passageiros a importância desse ajuste.
5º) Prefira automóveis com apoios também atrás, mas cuidado com instalações pós-venda, que raramente atingem padrão de segurança satisfatório.
VOCÊ SABIA?
* Os carros luxuosos mais novos já começaram a ser equipados com um encosto-de-cabeça do tipo ativo, concebido para reduzir as lesões cervicais causadas pelo efeito de chicote nos acidentes rodoviários. Em caso de colisão frontal, o encosto-de-cabeça ativo desloca-se para a frente e para cima, reduzindo o impacto exercido no pescoço do ocupante. Os novos Volvos V40 e V50, Omega e o Nissan Maxima são alguns dos modelos equipados com o sistema.


