Enchentes desafiam mecânica dos veículos
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de janeiro de 2013
João Fortes<br>Reportagem Local 
Embora os carros sejam planejados e produzidos para rodar fora da água, nem sempre é possível escapar dela. Enchentes ou alagamentos já se tornaram um problema frequente em muitas cidades, desafiando a mecânica e o desempenho dos veículos sobre rodas.
Dependendo do carro, da atitude do motorista e, principalmente, da altura da água, o prejuízo é certo e pode ser grande. Com relação ao funcionamento do carro, o pior que pode acontecer é o chamado calço hidráulico, como destaca o analista técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi), Estevan Prado. Ele explica que o problema ocorre quando a água invade os dutos de ar da câmara de combustão, causando danos graves ao motor ou até mesmo a pane total do mesmo.
Segundo Prado, o excesso de água também prejudica componentes eletrônicos do carro, essenciais para o seu bom funcionamento. "Hoje em dia os veículos têm muita eletrônica embarcada e como a água é condutora de eletricidade pode danificar uma série de componentes, como por exemplo, o alternador ou a sonda lambda (sensor de oxigênio). O custo de manutenção pode ficar bem caro", avalia.
Por isso, evitar trechos muito alagados, claro, é a melhor decisão que o motorista pode tomar durante a chuvarada. Mas como isso nem sempre é possível, o analista destaca algumas medidas para que o condutor diminua a possibilidade de prejuízos durante a travessia.
Se a altura da água estiver até o centro das rodas ainda é possível evitar o pior, mesmo assim é melhor reduzir a marcha e procurar manter uma velocidade constante. "O recomendável é manter a rotação do carro por volta de 2.500 rpm", indica Prado. Isso diminui a variação do nível de água e o seu respingo junto ao motor, além de melhorar a aderência ao solo e facilitar a dirigibilidade. Se o modelo for equipado com câmbio automático é preciso alternar para o modo manual, para garantir a rotação alta.
Há casos, porém, em que o mais recomendável é deixar o veículo onde está e esperar que um guincho se encarregue de retirá-lo do local e transportá-lo até a oficina. "Se o carro desligar não dê a partida, pois o escapamento pode aspirar a água. O mesmo vale para um veículo que ficou estacionado em um local que posteriormente foi alagado", orienta o analista do Cesvi.
Passado o susto, dependendo do nível da enchente enfrentada, recomenda-se também fazer uma revisão no carro para detectar e corrigir pequenas falhas que possam ter sido provocadas durante o "mergulho".


