Empresas querem atender as matrizes
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sábado, 03 de abril de 1999
Agência Estado 
Além do aumento da nacionalização dos carros feitos no Brasil, a desvalorização cambial vai ajudar a indústria de autopeças a exportar mais para as matrizes e outras subsidiárias das montadoras. Quatro técnicos da Opel, divisão da General Motors da Alemanha, e dois dos Estados Unidos se instalaram nos escritórios da empresa, em São Caetano do Sul para selecionar as melhores oportunidades de negócios com peças brasileiras.
Com esse câmbio certamente vamos começar a exportar para a Opel e até mesmo para outros fabricantes de peças instalados na Europa, como a Bosch, destaca o gerente de marketing da Filtros Mann, Markus Wolf. A mudança cambial alterou os rumos dos negócios. Fornecedores que executavam parte das operações no Exterior já se sentem estimulados a deslocar máquinas para o Brasil.
Kit para retífica dos motores a diesel produzidos pela MWMÉ o caso de um fornecedor de peças de plástico da General Motors, que opera no Brasil, mas injetava a matéria-prima na Itália. Se ele trouxer o ferramental aqui pode aumentar a produção e começar a exportar, destaca Francisco Satkunas, gerente de compras da General Motors. É o exemplo típico de como transformar a crise em oportunidade, destaca.
A GM também levou os fornecedores para seu auditório recentemente para discutir como nacionalizar as peças que antes comprava no Exterior. Hoje somente o carro popular leva índice mínimo de peças importadas - em torno de 10%. Os carros médios, com motor de até 127 HP, têm a média de 15% de componentes estrangeiros. Os luxuosos contam com 25% a 30% de peças importadas.
Mas é com as novas marcas de montadoras - os chamados newcomers - que a indústria de componentes mais está contando para ampliar as vendas. Os newcomers trabalham com índice de conteúdo local em torno de 30% a 40%. Nos cálculos do presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori, deverão, agora, passar a pelo menos 50%.
O diretor de exportação do Sindipeças, Elias Mufarrej, lembra que os grandes grupos fabricantes de componentes recém-instalados no Brasil vieram calcados na importação. Essas empresas, chamadas sistemistas porque fornecem às montadoras conjuntos acabados, vão agora apressar a nacionalização.
Há casos de componentes que não vale a pena nacionalizar. O módulo do comando do motor de um Astra, feito de cerâmica, ainda pode ser comprado em Cingapura porque aquele país consegue economia de escala com elevados volumes de produção. Mas os componentes que antes as montadoras compravam no Exterior porque a cotação de preços era favorável à importação serão todos nacionalizados. No próximo ano, o índice de nacionalização do Astra vai passar de 65% para 80%.
A Mann decidiu passar a comprar no Brasil praticamente todos os itens que importava para filtros. E o incremento das exportações, incluindo agora as matrizes das montadoras, fará o faturamento externo da empresa saltar de US$ 2,8 milhões para US$ 4,5 milhões este ano. Segundo Butori, o total exportado pelo setor este ano deverá crescer 5% em média, num total de US$ 4,5 bilhões. Ao mesmo tempo, as importações vão cair 20%.
Segundo Butori, a desvalorização do câmbio ajuda o setor muito mais do que o acordo emergencial, que levou o governo a reduzir impostos para estimular as vendas. A desvalorização cambial nos torna mais competitivos, levando o setor a dar emprego no Brasil, destaca. O Sindipeças já fala em contratações para o ano 2000. O setor se animou ainda mais esta semana com o anúncio da ampliação de recursos disponíveis do BNDES para agilizar a nacionalização.


