Empresas exigem redução de custos
São Paulo
DivulgaçãoA Scania se preocupou em dar maiores informações aos motoristas sobre peças genuínas e similaresDefesa de urgente redução de custos com aplicação de tecnologia no setor de transportes rodoviários, promessa de investimentos das principais montadoras de veículos leves, médios e pesados para o segmento e apresentação de alguns importantes lançamentos foram os pontos que deram o tom da 11ª Feira Nacional do Transporte (Fenatran/97) realizada entre os dias 8 e 13 no Expo Center Norte, em São Paulo.
Cerca de 200 expositores participaram da mostra, entre montadoras, fabricantes de autopeças, de implementos urbanos, rodoviários e ferroviários, transportadores de carga, embarcadores e serviços. O maior estande nos 132 mil metros de dois pavilhões utilizados pela feira, foi o da GMC Caminhões (816 metros quadrados), em que foram apresentados 10 caminhões de projetos mundiais. A marca está reingressando no mercado brasileiro.
A Fenatran deste ano teve como base de debates o tema Novos Tempos, Nova Postura, da promotora do evento, a NTC (Associação Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas). Para Romeu Luft, presidente da NTC, fundada em 1963, o setor está procurando reduzir seus custos operacionais para se adaptar a esses novos tempos mediante investimentos em tecnologia. Temos que fazer muita economia, para melhorar e otimizar o nosso negócio, disse.
Mas segundo o dirigente, questões como a inclusão dos caminhões no rodízio diário de veículos da Capital paulista e a cobrança de pedágios em estradas que ainda não estão prontas ou que não estão recebendo reparos estão gerando custos adicionais insuportáveis para o setor. A frota brasileira dos transportadores é realmente velha, causa poluição por causa do óleo de baixa qualidade e tem baixa produtividade, mas está sem recursos para renovação. No no caso do rodízio, o que as autoridades querem é resolver o problema do trânsito e não da poluição. Outras cidades já abandonaram o sistema, observou Luft.
Romeu Luft preferiu criticar a inexistência de fiscalização adequada, defendendo que os caminhões que fazem fumaça não devem rodar nunca, mas os que não fazem, devem rodar sempre. Disse que os motoristas de caminhão estão gastando mais com pedágio do que com diesel. Algo está errado, afirmou. O setor de transportes rodoviários de cargas movimenta R$ 30 bilhões por ano e gasta 30% em óleo diesel - preço mais justo para o principal insumo é uma das reivindicações da NTC para diminuir custos.
DivulgaçãoA Agrale lançou o caminhão 8500 Turbo, com peso bruto total de 8.000 kg
Do total transportado anualmente no Brasil, 57% é feito por via rodoviária (cerca de 320 bilhões de toneladas) e mesmo com o crescimento da intermodalidade, apoiada pelo segmento, nos próximos anos a participação não deverá baixar de 45/50% do total. O setor de transportes gerais cresceu 60% de 1990 a 1997, ficando o rodoviário com o incremento de 15% no período. O Mercosul representa pouco por enquanto: entre 6 e 7%. É que o intercâmbio entre os países-membros vai bem, mas os governos são lentos e se atrapalham na execução das propostas, disse Luft.
InvestimentosO presidente da NTC disse que não discorda da privatização das rodovias, mas criticou duramente o que fizeram na Rodovia Dutra: Esta estrada foi apenas maquiada, pois os pontos negros continuam existindo, os defeitos estruturais continuam lá.
Luft disse concordar com o novo Código Nacional de Trânsito, mas acrescentou que será preciso também uma fiscalização moderna: Há mais caminhão na estrada do que rodovia. O dirigente fez reparos, no entanto, no que se refere ao sistema de pontuação recebido pelo motorista em faltas leves como excesso de peso: O controle deveria começar por faltas graves. Tudo é proibido ao caminhão, mas o cliente, o comerciante está instalado e legalizado e precisa receber o seu pedido.
Há 12 mil empresas de transporte rodoviário de cargas (95% delas pequenas e médias), 350 mil transportadores autônomos e 50 mil de carga própria em operação no Brasil. O setor, que concentra frota de 1,6 milhão de veículos, representa 3,48% do PIB e apresenta faturamento médio anual de US$ 25 bilhões. Juntas, as parcelas representam 3,5 milhões de trabalhadores e investem R$ 10 bilhões anualmente, para percorrer 1,65 milhão de quilômetros, dos quais apenas 148 mil quilômetros são asfaltados.
O ministro dos Transportes Eliseu Padilha, que fez a abertura da feira, apresentou uma síntese dos investimentos que o governo federal vem fazendo na recuperação das estradas. Segundo ele, o Programa Brasil em Ação contempla cinco projetos para o setor, em obras que terão a inversão de R$ 5 bilhões e geração de 600 mil empregos diretos.
Segundo Padilha, 60 das principais rodovias brasileiras já estão em recuperação, representando 14 mil quilômetros. O ministro disse que de 1983 a 1994 praticamente não houve investimentos na malha rodoviária brasileira, mas de 1973 a 1983, a média de intervenções representou 2,9% do PIB, voltando com o governo Fernando Henrique Cardoso. .





