Empresa paranaense fabrica carroceria 25% mais leve
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domingo, 20 de novembro de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um bi-trem basculante que é cerca de 25% mais leve do que a média produzida no Brasil está chamando a atenção de transportadores da região Sul e especialmente de São Paulo. Fabricado pela empresa Pastre, sediada em Quatro Barras (região metropolitana de Curitiba), o bi-trem utiliza um tipo de aço mais resistente importado da siderúrugica sueca Ssab, o que possibilita a redução de peso.
As vantagens do bi-trem mais leve são mais evidentes nas rodovias que possuem um sistema de aferição de peso dos caminhões, caso de parte da malha viária da região Sul e da totalidade das estradas de São Paulo. ''Com o aço menos espesso, o transportador pode levar até 2,5 toneladas de carga a mais. A vantagem é matemática: é possível levar uma mesma quantidade de carga em menos viagens'', explica o gerente industrial Lauro Pastre.
No Paraná, além das rodovias com pesagem, certos trechos são proibidos para caminhões acima de 45 toneladas. É o caso de um trecho de 45 quilômetros da rodovia PR-364, que liga Palotina à BR-272 passando por Terra Roxa, e de um trecho de 26 quilômetros da PR-182, entre Palotina e Francisco Alves. As rodovias foram interditadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem para caminhões pesados, devido à falta de segurança e má condições do trecho.
O bi-trem produzido pela Pastre tem uma tara total de 11.060 toneladas, contra 13.560 dos modelos tradicionais. A utilização do aço menos espesso, porém, acarreta custos maiores ao comprador: o bi-trem sai por R$ 125 mil, R$ 15 mil a mais do que o modelo tradicional.
Para o diretor da empresa paulista Jaguar Transporte e Logística, Elder Serraglio, o gasto a mais na compra é compensado pelo aumento da capacidade de carga. Sua empresa já comprou dois bi-trens da Pastre, e está finalizando a compra de mais seis. ''Como nós atuamos principalmente em Estados que realizam a pesagem dos caminhões, precisamos estar sempre atentos aos limites de peso. Pelos nossos cálculos, os gastos a mais com o bi-trem mais leve devem ser compensados com a redução no número de viagens em cerca de três anos'', afirmou Serraglio.
Segundo Lauro Pastre, cerca de 50 unidades do bi-trem já foram vendidas. ''Somos os pioneiros na utilização deste aço mais resistente no Brasil. Temos conhecimento de que outras empresas também estão interessadas em adquirir o aço da Ssab, mas eles ainda dependem de toda a tramitação da negociação, transporte e desembaraço aduaneiro, o que pode levar até 10 semanas'', destacou.


