Os motoristas infratores que tiveram a carteira de habilitação suspensa este ano por dirigir embriagados têm, em média, 36 anos. A constatação, feita a partir de dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) sobre 114 motoristas cujos laudos de dosagem alcoólica deram positivo, vai contra o mito de que os jovens costumam ser mais imprudentes. Do universo de motoristas que já tiveram o resultado positivo para embriaguez no Instituto Médico-Legal (IML), 40% têm 40 anos ou mais. Só 26,3% têm menos de 30 anos e nenhum desses motoristas tem 18 ou 19 anos. Outros 33,4% estão na faixa entre 30 e 39 anos.
Os dados revelam o perfil desse tipo de infrator: homem (98%), com uma média de 36,4 anos, 1º grau incompleto (33,3%) ou completo (18,6%). Outra tendência é a participação dos motoristas com curso superior completo ou incompleto. Entre os motoristas que provocaram acidentes por estar alcoolizados, há empresários, um economista, um publicitário, um dentista e um médico. ‘‘Nos anos anteriores, praticamente só motoristas de caminhão e táxi compunham o total de sindicâncias’’, informa a delegada-assistente da Divisão de Habilitação do Detran, Edna Pereira Maia Bezerra. ‘‘A maior novidade é a presença de motoristas das classes média e alta’’.
A presença de mulheres na lista também é um dado novo. Na relação de 114 alcoolizados do Detran, há duas mulheres - uma advogada e uma funcionária pública, ambas de 45 anos. Entre os motoristas que ainda estão em sindicância há mais casos. ‘‘No ano passado inteiro, só houve uma mulher’’, afirma Edna.
As normas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) relativas à suspensão da carteira de motorista entraram em vigor em maio. Até o ano passado, a embriaguez era uma das causas menos comuns de suspensão. A maioria dos casos decorria de leis que, no novo código, não prevêem suspensão: ‘‘incontinência de conduta’’ (brigas de trânsito, com cerca de 60%), direção em transporte remunerado sem autorização e direção em categoria na qual não se está habilitado.

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