Em busca do terreno perdido
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de abril de 2010
Luciano Balarotti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Sucesso no mercado brasileiro desde meados dos anos 90, época em que era o principal ícone do segmento dos utilitários esportivos, o Jeep Grand Cherokee aposta na força e na economia do motor turbodiesel para reconquistar o terreno perdido para concorrentes asiáticos e europeus, ''donos'' do mercado após a virada do século.
Tradicionalmente equipado com os americaníssimos motores V-8, o Grand Cherokee ganhou, junto com a recente reestilização de sua terceira geração, um moderno motor V-6 a diesel, turboalimentado, com quatro válvulas por cilindro, 3 litros de deslocamento e potência de 215 cv. Propulsor que, de acordo com a fábrica, propociona 30% de economia em relação à versão a gasolina (que tem 4,7 litros) e reduz na mesma proporção a emissão de poluentes.
Trazida para o Brasil para atender a um mercado cada vez mais exigente no segundo semestre do ano passado, a versão diesel já responde por 83% das vendas da família Grand Cherokee, disponível em três modelos: Limited e SRT-8 (esportiva), movidas a gasolina, e Limited CRD, a diesel.
Sem nada dever aos demais modelos da linha no que diz respeito a conforto e segurança, a versão turbodiesel surpreende já na hora de acionar o motor. Seu funcionamento suave e silencioso em nada lembra o que se espera de um propulsor normalmente identificado com veículos pesados. No CRD, apenas um ronco grave nas acelerações mais fortes, ouvido apenas com janelas e teto solar abertos revela o tipo de combustível que move o utilitário.
Graças ao eficiente sistema de injeção direta de combustível (common rail) e à sobrealimentação, também as respostas do motor se assemelham às dos motores a gasolina, proporcionando rápidas retomadas de velocidade, importantes na hora de realizar ultrapassagens em rodovias. Talvez o terreno predileto do Grand Cherokee, ideal para aproveitar a autonomia de 720 quilômetros (graças ao tanque de combustível com 83,3 litros de capacidade) e com segurança garantida pelos freios antitravamento e sistema de controle da estabilidade. Se nas grandes cidades as dimensões do utilitário atrapalham, na estrada ela passa praticamente despercebida e o ''grandalhão'' se comporta como um modelo de menor porte.
Apenas a visibilidade poderia ser um pouco melhorada, já que a versão segue a tendência de design adotada por todas as divisões da Chrysler, com linha de cintura alta e teto rebaixado, reduzindo a área envidraçada. Mas mesmo essa pequena falha é superada com a adoção de grandes retovisores externos e por sensores de estacionamentos frontais e traseiros.
Se em sua condução o Grande Cherokee lembra um modelo de menor porte, dentro de sua cabine motorista e passageiros tiram bastante proveito de suas avantajadas dimensões (4,75 metros de comprimento, 1,93 m de largura e 1,74 m de altura). Os bancos de couro em duas cores - mesmo arranjo adotado no volante - são confortáveis e, no caso dos dois dianteiros, possuem ampla gama de regulagens eletrônicas. E como o modelo conta ainda com coluna de direção e até mesmo pedais de acelerador e freio reguláveis em distância o condutor encontra facilmente a melhor posição. Já os passageiros do banco traseiro contam, todos, com cintos de três pontos e encosto de cabeça.
Para aumentar o conforto, o carro conta com câmbio automático de cinco velocidades, com possibilidade de trocas manuais, e controlador de velocidade de cruzeiro, que permite acelerações e reduções em seu manete de controle. O volante conta ainda com comandos remotos do computador de bordo - instalado em um pequeno visor juntos aos instrumentos - e do sistema de som, um dos destaques do Grand Cherokee.
Chamado de MyGIG, o sistema pode ser comandado por toques na tela localizada no centro do painel. E além de reproduzir CDs e DVDs, é equipado com entradas auxiliar e USB e disco rígido de 20 gigabytes, que permite o armazenamento de cerca de 1,6 mil músicas ou outros tipos de arquivos, como fotos, que podem ser exibidas na própria tela.
O conforto digno de um carro de luxo não limita a aptidão do Grand Cherokee para o fora de estrada. Com bons ângulos de ataque e saída de declives e 21 cm de altura livre do solo, o utilitário conta com a segunda geração do sistema de tração integral ''Quadra-Drive'', que inclui controle de velocidade em descidas e assitência d epartida em subidas, proporcionando maior segurança ao motorista em percursos acidentados. O sistema também conta com reduzida, indicada para os terrnos mais difíceis.
Mas, apesar desta vocação para trafegar longe do asfalto, dificilmente se verá o Grand Cherokee em situação extremas, a não ser percorrendo aquela estradinha de cascalho em direção à fazenda ou a uma praia isolada depois de trafegar por rodovias asfaltadas. Situações em que poucos concorrentes do segmento fazem frente ao americano legítimo que tenta recuperar o status perdido ao longo dos últimos anos, com grande chance de ser bem-sucedido na missão.


