Muitos veículos, pouco espaço. Este é o dilema hoje do trânsito na região central de Londrina. Além do movimento lento e dos congestionamentos nos horários de pico, os motoristas londrinenses sofrem com outro problema: a falta de vagas para estacionar o carro.
''Toda vez que eu preciso ir ao centro, passo cerca de 15 minutos procurando uma vaga'', reclama a vendedora Neusa de Paula, que necessita ir a região pelo menos duas vezes por semana. Muitas vezes, a procura é em vão e o jeito é pagar para estacionar o veículo em um estacionamento privado. ''Acabo gastando um dinheiro não previsto'', diz.
Para a arquiteta Nádia Maluf, encontrar uma vaga no centro é uma tarefa quase impossível. ''Muitas vezes é preciso ficar dando voltas e voltas para encontrar uma vaga. Já cheguei a discutir com outro motorista por causa disto'', conta a arquiteta, criticando o hábito de motoristas 'espertalhões' no trânsito. ''São aqueles mal-educados que entram na vaga que você estava esperando sair''.
Segundo Alvaro Grotti, diretor de trânsito da Companhia Muncipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), há uma carência grande de espaço no miolo central de Londrina. ''Hoje, existem cerca de 1.400 vagas destinadas a Zona Azul. É muito pouco diante da frota circulante existente na cidade, que ultrapassa os 200 mil veículos'', explica. Na avaliação de Grotti, mesmo se houvesse condições de duplicar as vagas da Zona Azul o déficit ainda seria grande. ''O problema mesmo é a falta de espaço físico. Não há mais áreas públicas disponíveis na região central'', diz.
A Zona Azul, um tipo de estacionamento rotativo, é uma das alternativas utilizadas nas grandes cidades para amenizar a falta de vagas nas ruas. O problema é que, em muitos casos, os veículos permanecem estacionados por mais de 2 horas seguidas, horário limite permitido pelo sistema. Tal atitude não ajuda na rotatividade do trânsito, complicando ainda mais a situação.
Segundo Grotti, a prática é pouco comum em Londrina. ''Já fizemos um estudo disto e comprovamos que a permanência de veículos na Zona Azul por mais de duas horas é mínima'', justifica. Porém, nas ruas o que se vê é diferente: em vários carros, o acúmulo de talões da Zona Azul nos pára-brisas é visível.
A intenção da CMTU para amenizar o problema parte de um projeto amplo, que visa estabelecer novos rumos para o crescimento da cidade. ''Dentro do Plano Diretor, que está sendo discutido com a sociedade, há algumas ações práticas que podem amenizar o problema no futuro. Uma delas é oferecer alternativas de transporte para evitar que a população se dirija ao centro de carro'', afirma Grotti.
Com a falta de áreas públicas, o setor privado descobriu um filão de negócio: os estacionamentos pagos. Dados da Prefeitura de Londrina indicam que, somente no ano passado, 26 novos estabelecimentos do tipo foram abertos no quadrilátero central, que compreende as ruas Higienópolis, Duque de Caxias, Goiás e Benjamin Constant. Atualmente, existem cerca de 130 estacionamentos privados em atividade somente nesta região de Londrina, oferecendo uma média de 30 vagas cada, ou quase 4 mil vagas ao todo.
O custo médio da hora estacionada varia de R$ 1,00 a R$ 3,00, dependendo do veículo. Veículos maiores, como picapes e utilitários esportivos pagam mais pois ocupam um espaço maior. Para quem trabalha no centro e necessita ir de carro, a opção é se tornar um 'mensalista', ou seja, pagar o estacionamento por mês. Para isso, o motorista terá que desembolsar, entre R$ 60,00 a R$ 100,00, dependendo da localização do estacionamento.
Mais educação - Fora a falta de espaço, outro problema diagnosticado no trânsito é a falta de educação e bom-senso de muitos motoristas. ''Na hora de estacionar, muitos acabam utilizando o espaço de dois veículos, não se preocupando com o próximo. Isso acontece direto em Londrina, até mesmo nos shoppings'', conta agente de aeroporto Tatiana Menezes.
Para o empresário Ronaldo Baraldi o problema maior são as motocicletas. ''Há muitas motos estacionadas entre os carros, que dificultam e às vezes até impedem você de estacionar. O número de motos na cidade cresceu e não há número suficiente de estacionamentos para elas na cidade'', reclama. Baraldi, que ocasionalmente circula no centro de Londrina, calcula um gasto médio de R$ 120 por mês com estacionamento. ''Você acaba pagando para estacionar de qualquer jeito, seja na Zona Azul, no estacionamento privado e até para o flanelinha'', contabiliza.

EVITE PROBLEMAS

Na hora de estacionar seu carro em um estabelecimento, confira algumas dicas que podem ajudar caso haja algum problema:

RESPONSABILIDADES - O estacionamento é responsável em caso de furto de objetos deixados no carro e danos ao automóvel. O estacionamento é obrigado por lei a ter seguro contra roubo, furto, incêndio e perda total do veículo. Lojas e restaurantes que têm estacionamento gratuito também são responsáveis em caso de dano ou furto. Alguns estacionamentos ainda inscrevem nos tíquetes que não se responsabilizam por danos ao veículo ou pelo furto do carro e de objetos no seu interior. O Código de Defesa do Consumidor diz que são nulas as cláusulas que exonerem ou atenuem a responsabilidade do prestador de serviços nesse caso.


OBJETOS - Não deixe objetos dentro do carro. Se não puder evitar, avise o funcionário do estacionamento e registre no tíquete. Ao retirar o carro, verifique se está tudo em ordem. Se você tiver um toca-fitas furtado do interior de veu veículo, por exemplo, pode ter que recorrer à Justiça para receber a indenização do estabelecimento. O ganho da causa, segundo estudo do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), é garantido. O único problema será provar que o objeto furtado estava no carro.


MENSALISTA - Antes de contratar, verifique: preço, forma e data de pagamentos, se a vaga é fixa ou não, se é coberto, se fica aberto 24 horas e se há guarda o tempo todo. Pergunte sobre as formas de desistência e indenização em caso de danos ao veículo. Faça um contrato contendo as especificações acima.

PRAZO DE TOLERÂNCIA - Varia em cada estacionamento, mas o mínimo é de 5 minutos. Deve ser informado antecipadamente ao consumidor. Outra orientação básica é verificar se o relógio do consumidor está de acordo com o do estacionamento, pois uma pequena diferença de minutos pode significar o desembolso de dinheiro extra.

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