Em busca de convivência pacífica
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de maio de 2001
Ed Carlos Rocha De Curitiba 
Ônibus que fecha o carro, moto que se atravessa na frente do ônibus, carro que não dá passagem para a moto. No dia-a-dia do trânsito, essas situações envolvendo as três categorias de veículos são constantes. Como resultado, xingamentos, gestos obscenos, discussões e batidas. Os representantes de cada uma das categorias, claro, vêem mais culpa nas outras. Mas por que essa rivalidade e como fazer para amenizá-la?
Na visão dos envolvidos, o problema existe e aumenta na medida em que diminui o respeito mútuo e a consciência do que é o trânsito. Os motoristas, em geral, tinham que ser mais conscientes, respeitar o outro como ser humano, diz Valdecir Bolete, vice-presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores da Região Urbana e Metropolitana de Curitiba (Sindimoc).
Para ele, os motoristas de ônibus às vezes abusam do fato do veículo ser grande. No entanto, afirma que os carros e motos também têm culpa. Costumam andar nas faixas específicas dos ônibus e isso atrapalha.
O motorista Francisco Gomes de Moura diz que os condutores dos carros pequenos e das motos não respeitam a sinalização dos ônibus. Você sinaliza que vai fazer uma manobra, mas eles querem passar na frente. É falta de educação que não se aprende nem nas auto-escolas porque há instrutor que não sabe ensinar.
Para quem está no táxi, ônibus e motos são um terror. Tem motoqueiro que se enfia na frente da gente e se não dermos passagem acontecem acidentes, contra Luis Maldonado Marthos, presidente da Federação dos Taxistas Autônomos do Paraná.
Para o taxista Luis Carlos Lazarotto, o principal adversário é o ligeirinho. Por andar em via rápida, eles se atiram em cima da gente, diz Lazarotto, que também se arrepia com os motociclistas. Já me quebraram o retrovisor duas vezes.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores, Condutores de Veículos Motonetas, Motocicletas e Similares de Curitiba e Região Metropolitana, Tito Mori, diz que muitas vezes os motociclistas, principalmente os motoboys, cometem imprudência em função da pressa para fazer as entregas. Segundo Mori, no entanto, o motociclista também deveria ser mais respeitado. Os motoristas de carro poderiam andar um pouco mais para a direita nas faixas para sobrar espaço para os motociclistas.
Para ele, tem também o problema do ponto cego, no qual o motorista do carro não consegue visualizar o motociclista do lado. Muitos nem se tocam disso e jogam o carro em cima do motociclista.


