Merval Melaré, 37, pluga o scanner na central eletrônica do veículo Gol 2012 e espera que surjam na tela dados como a pressão, temperatura, ângulo de ignição. A partir deste verdadeiro raio-X, ele obtém os primeiros indícios do motivo da falha no carro e um caminho para o conserto. Dono de oficina desde 2000, Melaré conta que, por vezes, é procurado por mecânicas menores que não possuem scanner para colaborar em algum serviço.

Esses aparelhos são velhos conhecidos dos mecânicos e requeridos desde o surgimento da injeção eletrônica. Eles evoluem junto com a tecnologia embarcada nos veículos, que ganha novos módulos de gerenciamento conforme cresce a quantidade de opções, como ABS, controle de estabilidade, de tração, entre outros. Hoje é praticamente impossível sobreviver no mercado sem acompanhar essa evolução.

"Quem acompanha o mercado atende outro tipo de público, quem não acompanha vai ficando para trás, infelizmente", diz Melaré. Segundo ele, nos carros mais antigos com injeção eletrônica (como Gol GTI, Santana EX, Monza F500) não se usava scanner, pois a injeção era analógica. De 1995 para cá, no entanto, todos os carros no País requerem o equipamento para reparo. O scanner é plugado na central para onde convergem todos os módulos eletrônicos e onde as informações são gerenciadas, o "cérebro" do veículo.

Melaré não vem de uma família de mecânicos. Ele conta que se interessava pelo assunto e decidiu fazer um curso de capacitação de dois anos no Senai, acompanhado de um irmão. Arrumou emprego em uma concessionária e, depois, começou a atender em casa. Foi então que o pai conseguiu recurso para construir parte do barracão onde ainda hoje funciona a mecânica.

No início, eram apenas os três trabalhando; hoje, são 12 funcionários. De acordo com Melaré, a parte mecânica dos veículos teve evoluções – como no tamanho dos motores e no número de cilindros -, porém, a essência não mudou. Já a inclusão dos sistemas eletrônicos exigiu novos conhecimentos em elétrica dos profissionais.

"A gente passou a ter que conhecer mais de elétrica e ter uma quantidade maior de equipamentos para poder identificar (o problema); o scanner dá apenas o caminho", diz. "Às vezes está falhando o injetor três, mas o problema é mesmo o injetor três? Talvez não, pode ser uma vela que não queime, que dá uma falha similar. Se não souber é a mesma coisa que ler um livro em outro idioma, você não vai entender nada", ressalta.

O mecânico faz cursos de atualização constantemente e tem capacidade para atender qualquer tipo de veículo, inclusive com transmissão automática. A oficina conta com oito scanners, uma vez que cada um deles realiza leituras diferentes dos módulos e algumas montadoras possuem seus próprios aparelhos. Em alguns casos ele pode custar até R$ 15 mil.

Pesados
O Grupo Tietê é referência em tecnologia para reparos de veículos, incluindo pesados, em Londrina e região. Além dos scanners, o grupo investiu em equipamentos para a linha diesel, que também vem ganhando mais tecnologia. Jairo Dalpiaz, gerente de operações da empresa, diz que a nova geração de profissionais mecânicos surgiu com um novo perfil, a partir de 2010.

"O mecânico percebeu que não vive mais, sua empresa não sobrevive mais, se não tiver esse equipamento (scanner). Também tem que ter um nível técnico bom para saber trabalhar com o equipamento", ressalta. Dalpiaz diz que a evolução da engenharia veicular está bastante associada à segurança, à redução de emissões, melhor desempenho e conforto dos ocupantes. "Uma particularidade dos veículos de hoje: eles têm sensores, têm certa autonomia", destaca.

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