Eles são loucos por ônibus!
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sábado, 12 de junho de 2004
Por Mariana Faraco<br> Agência Estado 
Como muitos brasileiros, o tecnólogo Cristiano Mesquita prefere ir trabalhar de ônibus. Mas não é apenas para evitar o estresse de dirigir no trânsito da cidade. Do banco do passageiro, ele pode espiar pela janela e ficar observando... outros ônibus. Ainda na infância, ele pegava caixas de madeira e, em vez de carrinhos, reconstruía os grandes veículos nos quais viajava nas férias. Hoje, sempre que pode, vai até alguma rodoviária exercitar seu hobby favorito - fotografar ônibus. Resumindo: Cristiano é um busólogo.
E ele não está sozinho. ''Achava que ninguém tinha esse gosto, até que fui pesquisar na internet e descobri outras pessoas interessadas em ônibus'', conta. Existem cerca de 4 mil busólogos no Brasil. Organizados em clubes e associações, eles têm em comum o gosto por colecionar fotos, brindes, livros, revistas - tudo o que registre a evolução do transporte coletivo rodoviário, urbano ou de fretamento.
Cristiano é fã dos ônibus que cruzam as estradas. ''É porque prefiro os de três ou quatro eixos'', diz. ''Analiso também se são confortáveis. Hoje eles têm encosto para perna, ar-condicionado, estão diferenciados'', completa.
A busologia é um hobby que vem crescendo no Brasil - e não é mais tão solitário. Em 2000, foi criada a União dos Busólogos Brasileiros (UBB), em que os participantes discutem e trocam informações pela internet, além de organizar eventos. Clube A é entidade mais antiga, porém, é o Clube do Design de Ônibus, fundado há 25 anos pelo designer de ônibus Hélio Oliveira é o maior: tem 350 associados.
Filho de uma família de ferroviários, Hélio desde criança demonstrava um curioso fascínio pelos ônibus. ''Atormentava tanto a minha mãe com isso que um dia ela me largou sozinho na rodoviária Júlio Prestes (SP)'', lembra. Em 1979, ele e um grupo de amigos começaram a reunir informações sobre todos os tipos de ônibus - chegaram a cadastrar 276 indústrias de todo o mundo. Hélio, que projetou o primeiro ônibus de dois andares do Brasil - produzido em 89 pela Thamco - hoje mantém um acervo de 13 mil fotos de coletivos. ''Planejamos criar um museu brasileiro do ônibus'', avisa, ressaltando que o País é o segundo maior fabricante do mundo, perdendo apenas para a Índia. ''Atualmente os ônibus são adesivados por causa da logística e pela ecologia'', afirma o designer.
Apesar de ter sido um dos primeiros a usar o termo busólogo, hoje ele prefere ser chamado de pesquisador ou aficionado por busologia. A explicação para a paixão que os ônibus despertam, segundo ele, está no papel social exercido por esses veículos. ''O ônibus vai aonde você não consegue ir, está em todas as cidades e é um espaço de convívio entre as pessoas'', diz, lembrando a origem latina da palavra: ''omnibus'', que significa ''para todos''.
De acordo com Hélio, o primeiro ônibus brasileiro começou a circular em 1924 pelas ruas do bairro do Brás, na região central da capital paulista. Fabricado por uma dupla de imigrantes italianos, os irmãos Grassi, o veículo (montado sobre o chassi de um Ford T) foi logo chamado de ''mamãe-me-leva''. O motivo? As crianças ficavam encantadas e puxavam as saias das mães, pedindo para passear no veículo.


