Ecologicamente correto
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sábado, 05 de setembro de 2009
Sérgio Ranalli<br> Enviado a Foz do Iguaçu 
Iniciativas extraordinárias surgem muitas vezes de motivações inusitadas, neste caso os dejetos das centenas de milhares de suínos e aves criados nas cercanias do lago de Itaipu e o primeiro caminhão movido a energia 100% limpa e renovável da América Latina estão umbilicalmente ligados.
Nas proximidades do lago de Itaipu são abatidas milhões de aves por dia, são criados milhares de suínos, isso gera muito dejeto, que estavam contaminando rios, lençóis freáticos, riachos e córregos.
''Todo esse dejeto pode ser transformado em energia. E é isso que em breve vai acontecer. O produtor que cria suíno terá a sua própria energia, por meio de biodigestores, vai se auto abastecer em eletricidade. Venderá o excedente para a Copel, vai receber dinheiro do crédito de carbono e, depois de retirado o carbono, os dejetos voltam como adubo orgânico para a propriedade. E na sequência terá um carro elétrico, vai abastecer seu veículo e ter 100 quilômetros de autonomia fazendo todas as suas obrigações sem gastar nada em gasolina, óleo diesel e ainda sem emitir uma única grama de CO2 para a camada de ozônio. É jogo do ganha-ganha nessa parceria que estamos lançando'', explica o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek.
Quando surgiu a ideia de produzir um caminhão elétrico, a Itaipu convidou a Iveco, pioneira na tecnologia de combustíveis alternativos entre veículos comerciais. Da parceria nasceu o Iveco Daily 55C/E para reforçar o ciclo da sustentabilidade. O protótipo do Daily Elétrico é equipado com três baterias Zebra, tem autonomia de 100 quilômetros com carga completa e desenvolve velocidade máxima de 70 km/h. Vazio, a velocidade máxima chega a 85 km/h. A tecnologia pode ser aplicada em qualquer versão do Iveco Daily, seja chassi-cabine, furgão ou chassi de ônibus.
Equipado com um chassi cabine-dupla, se torna ideal para o transporte de equipes de trabalho mais carga, é uma configuração muito usada por empresas distribuidoras de energia.
Após a conclusão dos testes do modelo, planeja-se um lote especial do Daily Elétrico para comercialização aos parceiros de desenvolvimento e clientes pré-selecionados. Eles serão produzidos em um galpão especialmente preparado para esta tarefa dentro da usina de Itaipu (onde hoje já é montado o Fiat Palio Elétrico). A montagem é conduzida em parceria pela Itaipu Binacional e a empresa Isvor, do Grupo Fiat. As primeiras 10 unidades produzidas do Daily Elétrico serão entregues para a Itaipu Binacional e seus parceiros.
''Itaipu Binacional não vai ser uma empresa com vocação de querer ser uma fabrica de automóveis, isso quem tem que fazer é a própria iniciativa privada. Nossa produção é de energia elétrica, estamos desenvolvendo um cliente em potencial. Retirando os combustíveis fósseis e substituindo pelo consumo de energia elétrica, eu tô movimentando meu próprio negócio. Além de que, nos move um sentimento profundo de preservação ambiental'', revela Samek.
Tecnologia da F-1
O Daily Elétrico utiliza a tecnologia KERS, que recupera a energia cinética gerada nas freadas, se forma semelhante ao sistema hoje utilizado em algumas equipes da Fórmula 1, como a Ferrari (parte do Grupo Fiat). Num veículo normal, a desaceleração (provocada pela ação dos freios) gera calor, que é perdido na atmosfera. No Daily Elétrico, este calor é transformado em energia elétrica e vai para as baterias. Assim, o caminhão amplia a carga elétrica disponível. Essa característica faz do modelo um veículo ideal para o trânsito urbano, onde o para e anda é frequente. A caixa de direção elétrico-hidráulica foi igualmente idealizada para consumir a menor quantidade de energia possível.
Baterias
As baterias Zebra, que equipam o caminhão, são três vezes mais leves que uma bateria de chumbo-ácido comum com capacidade similar de armazenamento de energia. Equipado com as três baterias Zebra, o Daily Elétrico é 450 kg mais pesado (sem carga) quando comparado a um Daily cabine-dupla comum (modelo 55C16). Assim, sua capacidade de carga útil pode chegar a até 2,5 toneladas.
As baterias não precisam ser retiradas para serem recarregadas. O tempo de recarga é 8h para cada ciclo (quando estão completamente descarregadas), e a operação é feita por meio de três tomadas de 220V/16A. As baterias não possuem efeito memória, isto é, não viciam. Isso significa que a carga pode ser feita com qualquer quantidade residual de energia. As três baterias carregam e consomem energia simultaneamente.
A vida útil das baterias é de cerca de 1.000 ciclos (cargas). Elas não exigem manutenção. Cada uma delas é hermeticamente fechada em um invólucro metálico, que isola totalmente a temperatura interna de operação (250oC). Ao contrário das outras baterias elétricas, a Zebra não libera hidrogênio (gás inflamável) quando em recarga, permitindo que esta operação possa ser feita em ambientes fechados. Além do que, sua composição é de elementos recicláveis e abundantes na crosta terrestre.


