Ecofusca poderá abastecer rede elétrica doméstica
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domingo, 21 de dezembro de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
A execução do projeto do Ecofusca elétrico já dura mais de dois anos, desde que os estudantes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) em Cornélio Procópio iniciaram os estudos e, depois, os alunos do Senai abraçaram a continuidade do projeto. No entanto, a principal inovação ainda está a caminho, conforme explica Vicente Gongora, professor da Faculdade Senai de Londrina.
"O futuro dele é um projeto de pegar a quantidade de energia armazenada e, no horário de pico, transferir para a rede elétrica." Isso mesmo, o objetivo da equipe de alunos e professores, em parceria com o empresário Jilo Yamazaki - apoiador e entusiasta do projeto é fazer com que o proprietário possa empregar a energia sobressalente das baterias do veículo no uso doméstico.
"Você o pluga na tomada e, quando ele está com energia armazenada nas baterias, você vai usar energia dele na sua casa", ressalta o professor. A viabilização dessa transferência vai se dar por meio de "um sistema eletrônico inteligente", instalado em um conversor ainda em fase de produção. Na opinião de Gongora, o custo maior da energia elétrica justifica o investimento nesta inovação. "No horário das 18h às 21h vamos pagar mais caro (por energia), por isso estamos apostando neste armazenamento", diz.
Gongora diz que toda a viabilidade técnica e tecnológica para o desenvolvimento de carros elétricos já existe. No entanto, a viabilização comercial dos modelos depende da quebra de paradigmas, especialmente em relação à autonomia. Segundo ele, mesmo a conversão já é economicamente viável.
"Gasta-se entre R$ 18 mil a R$ 20 mil na transformação do motor convencional, mas você nunca mais vai trocar óleo, não vai ter que dar manutenção mecânica, não tem barulho, vai abastecer com R$ 7 por dia", enumera. Com o objetivo central de agregar conhecimento aos alunos e docentes da instituição, o projeto está aberto ao interesse de potenciais investidores.
Entusiasta
O empresário Jilo Yamazaki tem um filho envolvido na execução do projeto do Fusca elétrico como aluno, mas tem outras motivações para apoiar os estudos. Ele mesmo, quando estudante de engenharia elétrica na década de 1980, no estado de São Paulo, já estudava a tecnologia de transformação de veículos a combustão em movidos a energia elétrica.
"Como estudante, construímos um veículo elétrico na faculdade, então é uma coisa que vem de longa data", explica Yamazaki. Na opinião do empresário, a possibilidade de o veículo "devolver" energia para a rede elétrica o faz ainda mais inovador e interessante.
"Como veículo elétrico ele superou nossa expectativa. Então, a possibilidade de aproveitar a energia quebra um paradigma, não vejo empecilho tecnológico", diz o engenheiro. Segundo Yamazaki, apesar do potencial do projeto, ainda existe receio dos investidores, o que dificulta sua viabilização comercial. Porém, ele acredita que a mudança na tecnologia de abastecimento será rápida no mercado, impulsionada pelos conceitos de sustentabilidade.
"Eu sou um entusiasta; é uma realização, foi cumprida minha missão", declara ele.


