Rio - É do Brasil a primeira picape da Renault no mundo. Lançada essa semana, no Rio de Janeiro, a Duster Oroch chega para abrir e ganhar mercado para a montadora. Derivado do utilitário Renault Duster, o modelo inaugura novo segmento de picapes, ocupando o lugar entre as compactas e as grandes. "O lançamento vai reorganizar o segmento (de picapes). A proposta é inovadora. Pensamos em um modelo de tamanho confortável, mas sem ser grande e gerar incômodos para circular no trânsito urbano, por exemplo", explicou Gustavo Schimidt, vice-presidente comercial da Renault.
Toda desenvolvida no Brasil, pela Renault Tecnologia Américas (RTA), que foca em produtos voltados à necessidades e ao perfil do consumidor latino-americano, a proposta é que a Oroch atenda diversos públicos, desde aquele usuário que quer uma picape para o dia a dia, para o lazer ou até para o trabalho. Apostando nesse perfil versátil, o novo modelo da Renault será vendido em três versões e com duas opções de motor: 1.6 16V Flex e o 2.0 16V Flex. O câmbio manual será de cinco ou seis marchas, variando de acordo com a motorização. E com preços que variam de R$ 62.290 a R$ 72.490. A partir dessa semana, as concessionárias Renault no País recebem o modelo para test drive; a partir de 10 de outubro começam as pré-vendas e a partir de novembro a montadora começa a entregar as primeiras unidades.
Para chegar à Duster Oroch foram quase 5 mil horas de estudos e testes. A cara robusta e a plataforma do SUV Renault Duster foram a base para a nova picape cabine dupla, que ganhou, obviamente, detalhes e estruturas novas. Cerca de 20% das peças, segundo Schimidt, são novas em relação à plataforma do Duster.
Segundo a montadora, entre as adaptações estão o chassi, remodelado para dar mais equilíbrio e conforto para o modelo que "cresceu" - pouco mais de 30 centímetros - e vai poder receber mais carga – a capacidade da caçamba é de 650 quilos, 200 a mais que a do SUV. A suspensão também foi reforçada e ganhou peças novas para resistir ao maior peso e, na traseira, a suspensão multilink independente pretende oferecer mais conforto, estabilidade (tanto com a picape vazia quanto com ela cheia) e menor ruído. A caixa de transmissão também foi reforçada para dar mais tração na saída.
Os executivos da Renault não escondem que o lançamento da Oroch é uma grande estratégia da marca e um dos lançamentos mais importantes da montadora, uma vez que essa é a primeira picape da Renault no mundo. Com o modelo, a ideia é entrar num segmento de mercado que representa 13% do volume de veículos vendidos no Brasil. Em 2014, segundo a montadora, foram 450 mil picapes comercializadas no País. Na América Latina, no ano passado, as vendas desse tipo de veículo somaram 1,2 milhão de unidades.
O objetivo é ganhar o mercado brasileiro, depois o da América Latina e, no futuro, ainda sem previsão, outros continentes. "No País, o objetivo é que a Renault alcance 8% de participação no mercado. E a Oroch vai ajudar", garante Olivier Murguet, que deixou há algumas semanas o cargo de presidente da Renault no Brasil e assumiu a presidência do Conselho da região Américas. E a expectativa da marca, segundo Schimidt é que em 2016 sejam comercializadas 20 mil unidades da Oroch no Brasil.
Para Fabrice Cambolive, que assumiu o comando da operação da montadora no País, o momento é desafiador, mas a Renault tem planos e produtos consistentes. "O Brasil é um mercado estratégico para a Renault no mundo, atrás somente da França", declarou. E, se referindo ao fato de que a Oroch é um produto genuinamente brasileiro, já que foi desenvolvida em solo tupiniquim e será produzida na fábrica de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, Cambolive confessou: "A Renault é cada vez mais brasileira e a Oroch é a prova disso".

■ A jornalista viajou para o Rio de Janeiro a convite da Renault

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