Dois Fuscas de modelos diferentes que acompanham a trajetória de uma família. É essa história que os gêmeos Edmilson e Edilson Pelarigo Antonio tentam preservar. A dupla mantém um modelo, ano 72, branco lótus, que pertenceu à avó materna deles desde sua compra e, recentemente, recuperou outro Fusca, na cor verde Amazonas, ano 65, que durante muito tempo foi de propriedade da mãe dos rapazes.
O Fusca verde fez parte de momentos familiares marcantes - o nascimento dos irmãos e toda a infância e juventude deles - até ser vendido em 2000. ''Meus pais se casaram, nós nascemos, aprendemos a dirigir e concluímos a faculdade com esse carro'', lembra Edmilson. ''Consegui-lo de volta é uma conquista e o resgate da história de nossa família'', completa Edilson.
Dentistas, eles recordam que o espaço onde o Fusca verde ficava guardado se tornou uma sala de espera do consultório que os dois mantêm em parceria. O veículo foi vendido para um mecânico e em seguida repassado para um colecionador de Guapirama (Norte Pioneiro). ''Em janeiro estava organizando umas pastas e encontrei documentos do carro. Fui até o Detran e descobri que ele estava com uma dentista de Curitiba'', explica Edmilson.
Para os irmãos, a recompra do veículo só deu certo porque a dentista ficou sensibilizada com o fato de que a mãe dos rapazes, hoje com 80 anos, sempre recordava com nostalgia do carro e já havia manifestado o interesse de tê-lo novamente. Para fechar a compra, a movimentação da família foi grande e até um outro irmão dos rapazes - Emerson, que reside em São Paulo - procurou ajudar financeiramente.
Já sobre o Fusca 72, os dentistas têm algumas lembranças, mas contam que quase não usavam o veículo. A explicação está no cuidado que a avó tinha. Segundo eles, o automóvel só saía da garagem para ir à igreja aos domingos, isso quando não chovia. ''Neste ano ele completará 40 anos e está com 40 mil quilômetros rodados originais, mais uma coincidência marcante'', diz Edilson.
Sobre as peças que diferenciam os modelos 65 e 72 se destacam os motores. No 65, a mecânica é composta de um 1200 com parte elétrica de 6 volts. Já o 72, um pouco mais potente, apresenta um motor 1300 e tem 12 volts. ''O nosso 65, especificamente, não apresenta motor original. Hoje ele está com um 1300 assim como o 72, mas isso é algo que queremos trocar em breve'', garante Edmilson.
Outras peças que chamam a atenção em uma espécie de ''jogo dos erros'', quando os fuscas são colocados lado a lado, são o basculante presente apenas no 65, que tem ainda rodas inteiriças, enquanto as do 72 já vinham com furos para a melhor ventilação do sistema de freio.
O formato dos faróis e o brasão da dianteira são mais algumas das peças que tornam cada um dos modelos únicos. O estofamento do 65 tem também detalhe em tecido popularmente conhecido como ''pijaminha''.
Também há diferença nos para-choques: no modelo 72 são interiços e no 65 no formato tubular. ''Hoje o nosso 72 é todo original e está quase tudo certo para receber placas pretas. O 65 precisa de algumas adequações, como no motor, detalhes do câmbio e pintura, mas certamente tem pelo menos 70% de sua originalidade preservada. Queremos fazer os ajustes e ter dois veículos com placas pretas'', planeja Edilson.

Dupla histórica
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