Se você está pensando em comprar uma moto e, cuidadoso, já imagina fazer o seguro é bom se informar. Diante do alto grau de sinistralidade, termo usado pelas seguradoras para definir os riscos de roubo, acidente etc., a maioria das empresas se nega a fazer o seguro de moto. Quem faz, no geral cobra valores que podem chegar a até 30% do preço do veículo. Só para se ter uma idéia, em relação aos automóveis essa percentagem fica entre 7% e 10%.
Diante do ‘‘patinho feio’’ dos seguros, as empresas jogam o problema para o cliente, que pode optar por não fazer ou esperar que o seu corretor consiga um ótimo desconto junto às companhias que oferecem o produto. Se o cliente tiver outros negócios com a seguradora, pode também conseguir alguma vantagem.
Mas no geral, a situação do motociclista não é nada favorável. ‘‘É complicado fazer seguro de moto porque risco de sinistro, roubo e acidente, principalmente, é grande. Por isso só fazemos em situações excepcionais, geralmente para atender clientes que já têm volume de negócios grande com a gente’’, explica Sérgio Wilson Ramos Júnior, diretor da Regional Paraná da Sul América Seguros.
Empresas como Itaú, AGF, Gralha Azul e Marítima também fogem do seguro de moto. A Bradesco faz, mas com ressalvas. A cobertura é dada para motos acima de 450 cilindradas. Mas para quem mora no Paraná, no entanto, isso não faz a menor diferença.
É que no Paraná e em outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, que apresentam alta taxa de roubos, a empresa fechou as portas para o seguro de moto de qualquer modelo. ‘‘No Paraná, infelizmente, há muito roubo e estamos evitando atender esse mercado. Se os índices melhorarem, voltaremos a oferecer esse produto’’, explica Renato Pita de Moura, diretor de Automóveis da Bradesco, ressaltando que para as regiões onde atendem, o seguro de um modelo na faixa de 450 cc está em 28% do valor da moto.
De acordo com a Bradesco, é caro porque o alto grau de sinistralidade força isso. No caso do Paraná, por exemplo, não há como a empresa oferecer o seguro porque ficaria num valor ‘‘estratosférico’’. ‘‘Para se ter uma idéia, nas regiões excluídas, de cada 100 motos seguradas, 20 são roubadas. Para podermos fazer o seguro, o número de unidades roubadas tem que ficar abaixo de dez em cada 100 que têm seguro’’, conta Moura, fazendo um comparativo com os automóveis. ‘‘De cada 100 carros segurados, três são roubados’’.
A Porto Seguro dá uma mostra do que quer dizer caro. Atualmente, entre as principais empresas do setor, é a única que oferece cobertura, que envolve itens tradicionais como colisão, roubo, incêndio e danos materiais contra terceiros. Danos pessoais não são cobertos. Os preços básicos praticados pela empresa são mesmo proibitivos. Uma Honda NX 4 Falcon, de 400 cc, por exemplo, que custa em média R$ 8,7 mil, tem o seguro cotado na empresa em R$ 3,2 mil.
Dependendo do perfil do condutor (ter carro, não usar a moto para trabalho, já ter vários anos de experiência, ser casado e ter filhos, entre outros itens) e da habilidade do corretor, o preço pode cair bastante e ficar perto dos R$ 1,3 mil, o que ainda assim vai representar cerca de 15% do valor do bem. ‘‘A explicação para o valor alto recai mesmo sobre o alto risco de acidente e roubo’’, conta Sirlei Terezinha Macarini, coordenadora geral da Sucursal Paraná da Porto Seguro.
Para quem compra a moto e está desinformado, o preço do seguro gera um susto. ‘‘Tem muita gente que chega aqui, escolhe a moto e depois leva um baque quando descobre o preço que vai ter que pagar pelo seguro. Nestes casos, o que muitos fazem é desistir de proteger a moto’’, observa Reydner Nogueira, vendedor da Yamacenter.
Foi o que aconteceu com o administrador de rede de informática Átila Cardoso, 28 anos, que resolveu abrir mão do seguro da sua Falcon. ‘‘Quando fiquei sabendo que teria que pagar mais de R$ 1 mil de seguro desisti na hora. Acho que não vale a pena. Estava disposto a pagar no máximo uns R$ 500,00’’.
Segundo ele, não adianta segurar a moto porque quase não anda e durante o dia sempre deixa em estacionamento. ‘‘Poderia valer mais pela questão dos acidentes, mas cuido bastante para não acontecer nada’’.

mockup