Dodge Job Rated 51 trabalha duro
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de setembro de 1998
Mauricio Della Barba 
Trabalho. Essa é a sina do Dodge Job Rated 1951 do médico londrinense Alvaro Luis de Oliveira. Desde a sua compra, pelo pai de Alvaro, até hoje a pick-up nunca parou de trabalhar. Da época em que os caminhos eram difícieis até os asfaltos recentes, a velha raridade jamais deixou seus donos na rua.
No começo, em 1951, a caminhonete era um objeto de sobrevivência. O pai de Alvaro, seu Alvaro de Oliveira, um português dono de uma pequena venda em Rolândia, necessitava de um veículo que fosse capaz de enfrentar estradas de terra para chegar na sua fazenda em Colorado. Chegar não era uma tarefa simples. Lama, mato e o areião impediam qualquer veículo menos valente. Naquele tempo tudo era difícil. Andar de carro por aquelas estradinhas era uma aventura, lembra o médico londrinense.
Além dessa façanha, o carro pretendido por seu Alvaro teria que ter espaço para comportar as compras dos clientes da venda. A entrega, às vezes em sítios e fazendas, era um serviço obrigatório. As necessidades apontaram então para a pick-up Dodge Job Rated, que tinha como característica principal a rodagem especial de aro 18, bem maior e que passava facilmente por obstáculos e trechos duros.
O interior recebeu boa manutenção e está todo originalNunca vou esquecer quando a pick-up chegou em casa. Ao ouvir a buzina, saí correndo pelo quintal e fui direto para dentro dela, recorda Alvaro, que na época tinha apenas 7 anos. Como seu pai não sabia dirigir, foi um amigo da família que trouxe a pick-up nova comprada em Londrina para Rolândia. Filho único, Alvaro teve que aprender a dirigir cedo para ajudar o pai nas entregas. Aprendi a dirigir com 13 anos. Minha mãe até fez uma pequena almofada para colocar atrás, nas minhas costas, para que eu pudesse alcançar os pedais. Não havia muito perigo, pois naquele tempo existiam poucos carros, diz Alvaro que se cansou de buscar querosene com a caminhonete em Londrina.
Depois da morte de seu Alvaro, em 1967, a pick-up foi parar no sítio. Nos anos 70, a brava Dodge chegou a substituir os tratores na hora de aplicar o veneno nos pés de café.
A dura vida da Dodge na terra roxa durou 15 anos, sob a responsabilidade de um amigo da família, Alexandre Tolotto, que tratou de cuidar da pick-up. O Alexandre foi o grande responsável pela conservação da Dodge. Se não fosse o cuidado dele, provavelmente ela não estaria aqui, justifica o pediatra.
O motor original tinha 94 cv e hoje roda com um propulsor da C-20 com 180 cvMas as lembranças e as histórias vividas por Alvaro levou o médico a reconquistar a Dodge. Há 20 anos foi buscar a pick-up em Arapongas que ainda estava com o amigo Tolotto.
A Dodge de hoje não é a mesma de 1951. Sofreu muito neste tempo todo e sua mecânica não aguentou mais. O velho motor de 6 cilindros em linha de 94 cv de potência e tração traseira, se aposentou e deu lugar a um novo motor preparado da C-20, que traz 180 cv de potência. Tem ainda freios a disco e direção hidráulica. O grande destaque do veículo, o aro 18, também foi substituído. Essa alteração foi a pior. É uma pena, mas não existem pneus disponíveis nesse tamanho. Só há aqueles para trator, com cravos, lamenta Alvaro.
Longe das mudanças mecânicas, o carro conserva a lataria original e o painel completo. E principalmente: continua a andar. Este é o meu carro do dia-a-dia. Vou a qualquer lugar com ele. É muito gostoso, vangloria-se Alvaro.
Entre as inúmeras histórias da Dodge, Alvaro relembra que foi ela a responsável pela mudança das mesas e instalações da Faculdade de Medicina de Londrina, que era no centro da cidade, para o então câmpus da Universidade Estadual de Londrina, que começava a ser construída.
Hoje, Alvaro não troca por nada sua Dodge 51. Carro novo é bom, mas não há sensação melhor do que dirigir esta pick-up.


