Quando o assunto é barulho de motor, em quase toda conversa o V8 é citado. Esse tipo de motorização é cultuado por grande parte dos colecionadores, principalmente os apaixonados por velocidade.
Um dos expoentes do V8, o Dodge Dart costuma ser objeto do desejo de muito antigomobilista. Mas a professora Larissa Betoni Antonelli é prova viva de que há mulheres que curtem um automóvel clássico envenenado.
Proprietária de um modelo sedã, ano 1973, na cor vermelho nobre, que lembra o tom laranja, ela cuida do carro como se fosse um filho há mais de uma década. ''Tenho muita coisa a fazer nesse carro, estou sempre mexendo, é muito difícil conseguir peças originais, mas é um orgulho vê-lo rodando'', diz.
As palavras de Larissa ao se referir ao automóvel denotam encantamento. E quando questionada sobre o fato do Dodge ser um carro mais comum entre os homens, ela deixa claro que isso não a incomoda. ''Faço as coisas que gosto, como tocar bateria, e ter um V8 sempre foi um desejo. Fiz o carro nessa cor inclusive para que fosse algo mais chamativo'', revela.
Além do possante motor V8 318, o carro possui câmbio três marchas na coluna e muito espaço interno. ''Esse tamanho todo dele e o motor são os diferenciais. Não tenho nem palavras para descrever o prazer que dá dirigir um carro desses'', enfatiza.
Com freios a disco na dianteira e a tambor na traseira o automóvel apresenta uma das suas poucas diferenças em relação ao original nas rodas. Durante a restauração, elas passaram de cinco para sete polegadas, o que mudou levemente a estética do carro.
Larissa aponta que ainda falta recuperar as lanternas traseiras do veículo, hoje substituídas por um modelo diferente. Também é preciso colocar entre as rodas uma espécie de cubo característico da época. O cuidado e o preciosismo da professora com o veículo são tantos que ela não descarta nem mesmo fazer alguns ajustes nos para-lamas e no interior do Dodge.
O carro está pronto para rodar desde maio deste ano e para Larissa, que ao longo de uma década pensou, por algumas vezes, em desistir de restaurar o veículo, conseguir exibi-lo é uma vitória. ''Não ando com ele para me mostrar. Foi muito difícil achar alguém que pudesse me ajudar a cuidar do carro porque embora gostasse desde criança, não entendia muita coisa'', confessa.
A professora não sabe ao certo quando o seu Dodge Dart ficará exatamente do seu gosto, mas garante que preza por sua originalidade. Sem a expectativa de negociá-lo, ela já faz planos de um dia levá-lo à escola. ''Meus alunos sabem que gosto desse tipo de carro e que tenho um. Ainda não experimentei essa possibilidade, mas quem sabe não pode acontecer'', vislumbra.

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