Do jeito que o Mustang gosta
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 2014
Cecília França<br> Reportagem Local
O gosto por mecânica e eletrônica aliado a um período de estudo nos Estados Unidos fizeram do jovem londrinense, Gabriel Galdino, 21 anos, um especialista em reparo e customização de carros clássicos e importados. Na semana em que a Ford apresentou mundialmente a versão 2015 do Mustang, um dos maiores ícones da indústria automotiva norte-americana, fomos conhecer a versão 1995 que Galdino tem na garagem.
Externamente, o carro parece original, com exceção das rodas Momo M1 aro 17. Prata, traz o simbólico cavalo galopante na dianteira e na lateral, uma representação de sua força. Por dentro, bancos de couro também originais são de um conforto sem igual, "amaciados pelo tempo", como diz Galdino. Mas são muitas as mudanças promovidas pelo jovem especialista.
O jovem transformou o carro no único Mustang super cupê do Brasil. Segundo ele, existem apenas 19 no mundo com essa alteração. Potente por natureza, o motor original V6 de 145 cv entrega hoje nada menos que 308 cv, potência semelhante à do modelo atual. "Instalei um supercharger movido a correia, próprio para motores de baixa rotação, como o dele, que atinge no máximo 5.000 giros", explica Galdino. Conforme ele, entre 1.200 e 3.500 giros ocorre a maior liberação do torque de 48 kgfm.
Os faróis foram desenhados pelo próprio Galdino e fabricados na China, porque ele queria faróis "que realmente funcionassem", com luz baixa de xenon. As lanternas traseiras têm três barras horizontais e as setas foram programadas para piscar sequencialmente, como nos modelos de 1967 a 1971. A maçaneta ganhou iluminação e os pedais também, na cor azul.
O Mustang conta com piloto automático e ar-condicionado digital do Lincoln Continental. O painel escolhido foi o da versão 2004, por contar com três botões. Um deles ainda não tem função, o da esquerda abre o portão eletrônico da casa de Galdino e o do meio controla o barulho do escapamento, dependendo da "ferocidade" desejada pelo motorista.
O sistema de som foi pensado para ter qualidade e não para transformar o carro em um trio elétrico. Os isolamentos acústico e térmico, com manta asfáltica e folha de alumínio entre o carpete e a lata do carro (também feitos pelo proprietário), contribuem para a pureza do som.
Ao abrir o capô descobrimos outras modificações promovidas por Galdino para melhorar o desempenho do Mustang. Ele instalou sensores de nível de água, de nível e pressão do óleo, de temperatura do óleo e de mistura do combustível. Para melhorar o desempenho do motor turbo, ele optou por instalar um intercooler ar/água.
"É um sistema separado da água de arrefecimento do motor do carro, movida a uma bomba elétrica; essa água é refrigerada pelo ar que vem de fora e ela, dentro de um núcleo específico, refrigera o ar do motor", explica. Segundo Galdino, o sistema é 67% mais eficaz que o intercooler ar/ar, além de economizar em tubagem de ar, o que diminui o arrasto aerodinâmico e aumenta a velocidade interna.
"A resposta do motor é imediata. Tem que saber dirigir esse carro, senão você perde o controle, porque ele está 'nervoso'", declara o jovem.
Mesmo com toda a potência, o Mustang não suportou uma extravagância de Galdino no Autódromo de Londrina um dia desses. Ao passar pelo check point a 240 km/h, ele detonou a embreagem, que era utilizada no modelo desde 1974. Mas o problema acabou virando solução. "Vou instalar nele um sistema de embreagem dupla, como de carros de corrida", revela o especialista.
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