Dirigir a noite oferece maior risco
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sábado, 20 de abril de 2002
Mauricio Della Barba 
As estatísticas não enganam. A maioria dos acidentes de trânsito no Brasil são causados por falhas dos motoristas, pelas más condições da estrada e dos veículos. Dados da Polícia Rodoviária Estadual dão conta que 46,4% dos acidentes registrados no ano passado nas rodovias que cruzam o Paraná ocorreram entre às 18 e as 6 horas. Durante a noite o movimento de veículos é menor, mas devido às dificuldades de visão e de iluminação, os riscos de acidentes são maiores, afirma o tenente João Carlos Toledo Júnior, oficial da Polícia Rodoviária Estadual.
O principal vilão dos acidentes noturnos são exatamente os veículos mal conservados. Alguns motoristas entram na estrada com seus carros apresentando problemas de iluminação, com faróis, lanternas e piscas queimados. Muitos acreditam que andar a noite pode evitar uma abordagem da Polícia, mas isto é um engano, explica o tenente, alertando para a operação Vaga Lume, que busca justamente verificar durante o período noturno as condições elétricas dos veículos em trânsito.
Outro problema de dirigir a noite é a falta de sinalização em algumas estradas. As principais rodovias já apresentam uma boa sinalização viária. Porém, algumas outras vias adjacentes não possuem faixas laterais e centrais, o que dificulta bastante a orientação do condutor, conta o tenente.
Pelas estatísticas da Polícia Rodoviária, o maior número de acidentes ocorre no início da noite, quando o sol começa a se pôr. Durante o crepúsculo, o reflexo do sol atrapalha a visão do motorista. Muitas vezes o condutor não consegue enxergar a estrada, os veículos ou o que há pela frente, aponta o tenente Toledo. A iluminação contrária também oferece riscos à noite. Os faróis dos carros que vêm em sentido oposto podem ofuscar o motorista durante alguns segundos.
O período noturno nas estradas também esconde outros perigos. São comuns os acidentes ocorridos por causa do cruzamento de animais na pista e veículos parados no acostamento. A escuridão impossibilita visualizar o que há em volta da estrada como animais e até pessoas. Um motorista ou pedestre a 100 ou 120 metros de distância vê os faróis do carro, mas não é visto, explica o policial. A situação pode complicar mais ainda em caso de chuva.Como há menos movimento, muitos abusam da velocidade. E a noite o tempo de reação é menor.
O Código de Trânsito Brasileiro dá boa atenção às luzes do carro. Mas não acender o farol baixo ao passar em túneis, ou em situações adversas como chuva e neblina, são infrações comuns. Classificadas como médias, são punidas com multa de R$ 85,13, mais quatro pontos no prontuário do motorista. Usar farol alto em vias com iluminação pública também é uma falta frequente. Considerada leve, custa R$ 53,20 e três pontos.
O motorista deve tomar cuidado também com faróis desregulados, pois essa infração é considerada grave. Quem for pego pela fiscalização levará multa de R$ 127,69 (mais cinco pontos). A mais alta punição é para quem dirige sem óculos, uma infração gravíssima: R$ 191,54 e sete pontos.
Para evitar transtornos, efetuar a regulagem dos faróis é uma tarefa simples e barata. O ajuste deve ser feito com equipamento especial, que verifica o facho de luz e sua convergência. Concessionárias e lojas especializadas fazem a regulagem. O dono do carro pode conferir pessoalmente se há convergência dos faróis. Para fazer isto, basta aproximar o carro de uma parede branca, em piso plano, e verificar os pontos mais fortes de luz, que são os de incidência. Esses pontos não devem ter uma só direção, mas têm de estar no mesmo nível. A regulagem deve ser diferente para cada farol. O da direita deve ter maior abrangência de campo que o da esquerda, para não ofuscar a visão de quem vem em sentido oposto.


