Esqueça o prata e o preto. O tédio bicolor que dominou as ruas e estradas por vários anos está com os dias contados. Agora a vez é do branco, cor que durante muitos anos ficou relegada a veículos de frota, táxis ou ambulâncias. Seguindo a tendência do mercado internacional, o tom - considerado neutro - vem sendo muito utilizado, e solicitado, por consumidores de veículos premium nas concessionárias de Londrina.
A moda branca teve início no começo do ano e já domina boa parte das vitrines automotivas. Segundo o diretor-geral da Mizumi Veículos (concessionária Mitsubishi), Beto Cremonez, essa tendência vem sendo mais observada na Região Sul. ''O preto continua forte, mas o prata ainda está saindo. O branco é mais fácil de cuidar e atinge mais a linha premium'', diz. A moda, também no setor automobilístico, é cíclica.
Ele lembra, que entre o final da década de 80 e o início dos anos 90, a preferência era pelo vinho, depois chegou o prata, migrando agora para o branco. Cremonez conta que um cliente chegou a mudar a cor do veículo no momento em que visualizou uma (Pajero) Dakar branca ainda na ''cegonha''. A opção inicial era pelo preto. Na Ciavena Audi de cada dez veículos vendidos, pelo menos, dois são brancos.
''A era prateada ainda não acabou, mas a procura pelo branco aumentou bastante, inclusive, nos veículos 'top' da nossa linha'', diz o gerente de pós-venda Alfredo Tartari. Ele acrescenta que a Audi não trabalha com uma palheta muita variada de cores, mas que até o ano passado a preferência dos clientes recaiam praticamente entre o prata e o preto.
Segundo Eduardo Tauil, gerente de vendas da Divesa (revendora Mercedes-Benz, Dodge e Chrysler), as montadoras apostaram na diversificação das cores. ''No Brasil sempre foi muito prata e preto. Hoje já há mais oferta do branco, do azul e do cinza'', comenta. Na revenda são comercializados pelo menos dois veículos por mês da coloração.
Além de modismos, a supervisora de vendas da Verniê Citroen, Edilaine Bonancea, diz que houve uma mudança de conceito dos próprios consumidores. ''Antes o branco era solicitado para carros de frota, de representantes comerciais. Agora não, mas o prata ainda é o campeão de vendas'', observa. No entanto, na sua opinião, o branco não ''cai bem'' para todos os carros, mas até favorece alguns modelos.
Cuidados
Entre alguns consumidores o branco já é um sucesso. O empresário Fábio Kai, de Londrina, diz que escolheu a cor do seu carro, uma Pajero Dakar, depois de verificar que o tom é tendência no mercado internacional. ''No exterior todos os carros do segmento premium são brancos e isso já há uns cinco anos. É a tendência do mercado de luxo'', diz. Segundo ele, essa cor exige menos cuidados do que o preto, por exemplo. ''(O branco) Suja menos, não cansa de olhar'', resume.
O professor Ricardo Siqueira também optou por um C4 branco. ''É o meu segundo carro branco. Ecologicamente é mais interessante porque esquenta menos e, com isso, reduz o uso do ar-condicionado. E esse carro (C4) ficou bonito com essa cor'', justifica. Além disso, ele acrescenta, que a manutenção é mais fácil, uma vez que os riscos aparecem menos.
O administrador de empresas Marcos Massumi Tsukuda, de Maringá (Região Noroeste), afirma que sempre gostou de carros brancos. Mesmo assim, um A4 foi o seu primeiro veículo dessa cor. ''Meu pai queria comprar (o carro) preto, mas tinha só o branco na concessionária. Fechamos negócio e, agora, o meu pai gosta do branco'', comenta. Para que a pintura não fique com aquele ''ar encardido'', ele sugere um espelhamento a cada seis meses. O empresário Carlos Augusto Faria, de Arapongas, comprou um Fusion branco há três semanas. ''Já gostava da cor, mas sempre tive carros pretos. (O preto) é quente, qualquer risco aparece e é mais difícil de cuidar, já o branco aparece menos a sujeira'', diz.

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