Desviar de lombadas danifica o carro
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 1997
Da Redação 
DivulgaçãoPassar apenas com uma roda sobre a lombada pode prejudicar alguns componentes do carro Todos os dias, milhares de motoristas saem de suas casas para o trabalho e, no caminho, encontram inúmeros obstáculos. São buracos, valetas, pisos malcuidados e as conhecidas elevações que, dependendo da região são conhecidas por lombadas, quebra-molas ou redutor de velocidade.
Para não diminuir a velocidade, muitos brasileiros adquiriram o vício de passar rente à calçada, fazendo com que apenas as rodas da esquerda, ou da direita, transponham o obstáculo, enquanto as outras duas não sofrem alteração na trajetória. E o motorista faz isso em todos os obstáculos deste tipo que encontra: duas, três, oito, 15 vezes por dia. Na ida e na volta para casa.
Quando chega no trabalho, estaciona o carro em 45 graus, apoiando o pneu na guia. E lá fica o carro, horas e horas, todos os dias, com o pneu escorando o peso do veículo.
Para Miguel Felippa, gerente Executivo de Engenharia da General Motors, os testes de durabilidade utilizados nos veículos, referem-se a uso severo em terrenos irregulares, simulando as piores condições de pavimentação a que um veículo pode ser submetido nas vias brasileiras, incluindo-se as chamadas lombadas.
De acordo com o engenheiro da General Motors, o passar pelas lombadas, frequentemente apenas com duas rodas, sejam as esquerdas ou as direitas, poderá comprometer a vida útil das buchas da suspensão, amortecedores e rolamentos. Este vício poderá, ainda, gerar torções indesejáveis na carroceria do veículo, resultando em deformações permanentes, alterando a geometria do veículo, o que interferirá, inclusive, na estabilidade do mesmo.
Esta é, na opinião de Miguel Felippa, uma prática totalmente condenável do ponto de vista técnico e também sob o aspecto disciplinar, já que a lombada ali está colocada para fazer com que os veículos diminuam a sua velocidade.
Em relação ao estacionamento, ou subida em guias, a 45 graus com o peso do veículo sobre um único pneu, Felippa volta a condenar estas duas práticas.
Estes procedimentos não são recomendados, já que o impacto ou apoio em superfícies contundentes, podem gerar danos na carcaça dos pneus na área do ombro (união do costado com a banda de rodagem). Isto causa a deformação na estrutura do pneu, alterando sua condição de uniformidade e implicando em alterações na condição de balanceamento do conjunto rodas/pneus.
Felippa conclui que, mesmo pequenos detalhes como estes, devem ter muita atenção por parte dos motoristas, pois qualquer uso inadequado do seu veículo poderá causar danos, alguns até irrecuperáveis, além de resultar em custos maiores de manutenção.


