Desvalorização favorece a Kombi
A Kombi, veículo que mais se viu ameaçado pela concorrência dos coreanos, já começou a levar vantagem com a desvalorização do real. O volume de vendas do modelo no mês passado cresceu 50,6% em relação a dezembro.
No mesmo período, as vendas da Besta, seu principal concorrente, caíram 58%. No entanto, o aumento da demanda já fez o preço de mercado aumentar. A versão standard, que vinha sendo oferecida pelos concessionários a R$ 18,7 mil, está cotada a R$ 19,9 mil.
A Towner, o pequeno veículo de carga de passageiros da Asia Motors, ganhou mercado, principalmente em 1997, em razão dos preços atrativos - entre US$ 8 mil e US$ 10 mil. Mas com a nova conversão para a real, as vendas despencaram de 520 unidades em dezembro para 301 em janeiro. O volume de vendas da Besta, da Kia Motors, baixou de 665 para 279. O da Kombi aumentou de 1.055 para 1.589.
Meu estoque de Kombi baixou 70% desde a mudança cambial, afirma o diretor da Primo Rossi, concessionária Volkswagen, Vittorio Rossi Jr. Na comparação entre janeiro deste ano e o de 1997, as vendas da Kombi mantiveram volume praticamente estável, com crescimento de 1,98%.
Por outro lado, os volumes dos modelos coreanos despencaram. A queda mais acentuada foi da Topic, o utilitário grande da Asia Motors, que custa entre US$ 20 mil e US$ 22 mil. As vendas da Topic caíram 72,31% em janeiro na comparação com o mesmo mês de 1998. O volume de vendas da Towner foi 64,67% menor e o da Besta registrou queda de 64,36%.
O gerente de planejamento, vendas e marketing da Volkswagen, Luiz Muraca, já comemora os resultados do reflexo da desvalorização cambial. Para ele, a mudança torna os concorrentes muito caros. Mas, para o diretor comercial da Asia Motors, José Américo Huertas, os coreanos poderão retomar seu espaço no mercado quando o dólar se estabilizar, mesmo com uma diferença maior em relação ao real. Estes veículos conseguiram um nicho de mercado e, por isso, não é a concorrência do veículo nacional que os está afetando, mas sim a falta de estabilização da moeda, justifica.
Os importadores têm passado os dias recalculando cotações. Mas o prejuízo tem sido inevitável. Temos feito mágicas internas, resume Huertas. Segundo ele, hoje não há interesse em vender mais porque isso significa acumular prejuízo, já que as marcas importadas estão utilizando cotações abaixo do mercado. Se precisamos repor estoque perdemos dinheiro porque pagamos mais pelos novos veículos, explica.
A mudança cambial deu, portanto, à Kombi novo fôlego. Primeiro veículo produzido pela Volkswagen no Brasil, na década de 50, a Kombi conseguiu ficar no mercado ao longo dessas décadas com pouca modernização. Passou quase que imune pelas críticas de veículo ultrapassado porque a relação custo-benefício sempre foi seu forte. Em 1994, a Volkswagen conseguiu incluí-la no protocolo do carro popular e, com isso, recolher menos IPI. A competitividade da Kombi só foi abalada com a invasão dos coreanos, que agora perdem espaço com a alteração no câmbio.DivulgaçãoA Kombi se favorece de estar no acordo do carro popular com IPI mais reduzidoAgência Estado





