Desenvolvimento com padrão de F-1
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sábado, 06 de agosto de 2011
Reportagem Local 
As empresas do setor automotivo enxergam na Fórmula 1 um grande laboratório para o desenvolvimento de seus produtos: os equipamentos utilizados ali, com tecnologia de ponta e máxima exigência, logo estarão nos carros de rua. Nesta temporada, por exemplo, o sistema de recuperação de energia cinética (KERS, em inglês) volta a ser desenvolvido, visando resolver o problema atual de autonomia dos motores elétricos (já presentes em carros híbridos).
Este fluxo de informações entre fabricante e equipe de competição é constante e se faz também presente no universo dos caminhões e de suas corridas. Há apenas duas categorias deste tipo no mundo, uma na Europa, outra aqui, na América do Sul. E a Fórmula Truck Sul-americana, que é a mais rápida (com caminhões chegando a 250 km/h) e considerada de maior relevância esportiva, é naturalmente bastante procurada pelas fabricantes. Há até um campeonato de marcas - vencido pela MAN Latin America (com os caminhões Volkswagen) nos últimos dois anos.
''Corri em diversas categorias, como a Fórmula Indy, por exemplo, e posso dizer que o desenvolvimento de produto e intercâmbio de tecnologia entre o carro de competição e o original de fábrica na F-Truck é tão intenso quanto na F-1'', afirma Felipe Giaffone, piloto da Volkswagen desde 2007, quando fez sua primeira temporada completa e conquistou seu primeiro título - foi campeão também em 2009.
Divulgação
''Na Truck já existe até a preocupação em frear um pouco os custos ao criar algumas limitações no regulamento, senão as montadoras e as equipes acabam tendo um orçamento muito fora do padrão de investimento no automobilismo nacional'', conta Renato Martins, o primeiro campeão da história da Fórmula Truck, em 1996, e chefe de equipe da Volkswagen. Atualmente, a equipe dele trabalha peça por peça na montagem do caminhão em contato direto com a fábrica da MAN Latin America em Resende (RJ), onde são montados os caminhões Volkswagen.
''A Fórmula Truck é uma ferramenta importante de divulgação da marca. Intensificamos nossas ações de forma significativa a partir de 2006, com a presença da família Constellation e o apoio total da engenharia da fábrica no desenvolvimento dos veículos de competição'', explica Rodrigo Chaves, gerente de engenharia da Volkswagen Caminhões e Ônibus. ''As soluções que encontramos nas pistas podem ser repassadas aos veículos de rua do Brasil e do exterior''.
Soluções
Entre estas soluções está o desenvolvimento da injeção de combustível mais precisa e de sistemas de pós-tratamento de gases. Durante as temporadas passadas, ainda com o VW 18.310, a engenharia da Volkswagen redesenhou o sistema de refrigeração para assegurar durabilidade adequada mesmo em condições severas, como as altas temperaturas alcançadas durante as corridas. Todo o conhecimento obtido com esta experiência já foi levado para os veículos exportados à Arábia Saudita.
''Nenhum laboratório reproduz as condições que são testadas nas corridas da Fórmula Truck'', diz Rogério Dias, supervisor da área de desenvolvimento da MAN Latin America, que faz os caminhões Volkswagen. ''O nível de exigência e esforço dos componentes faz com que a gente consiga evoluções de maneira mais rápida e eficiente. Na pista, desenvolvemos um motor de 1.000 cavalos de potência (mais do que um F-1), para conseguir melhorar a velocidade e performance do Truck de competição. Para o motorista de nosso caminhão de fábrica, isso significa um motor que apresenta o mesmo rendimento necessário para a estrada, mas proporcionando maior conforto, durabilidade e consumindo menos combustível e emitindo menos poluentes''.


