Desenvolvendo os motores
Enquanto muitos especialistas trabalham nas formas e estrutura dos caminhões e ônibus da Mercedes, um outro grupo é responsável por desenvolver a tecnologia que irá impulsionar esses grandes veículos: os motores.
No caso da nova linha, lançada para 2012, foi introduzido o sistema Blue Tec 5, que para atender as exigências do Proconve P-7, reduz a emissão de material particulado.
Além disso, foi preciso incluir um sistema de pós-tratamento do Dióxido de Nitrogênio (NOx), expelido durante a queima do combustível. Através do componente Arla 32, um líquido composto de uréia e água, os gases sofrem uma reação química, sendo que tudo é controlado por um sistema eletrônico complexo.
Até aí já é possível ter uma ideia do trabalho que os especialistas do Laboratório de Motores do CDT tiveram. ''Tem que se preocupar muito com essa reação química, pois o nível de complexidade é imenso. Se o veículo não tiver uma resistência eletromagnética, por exemplo, ele para no caminho'', afirma Gilberto Leal, gerente sênior de desenvolvimento de motores médios e sistemas de pós-tratamento.
Os testes em laboratório incluem usos de diferentes combustíveis e proporções, além da avaliação detalhada de cada parte de motor. ''Cada junta vai ter um planejamento e aqui já é gerada a documentação de cada peça, que vai ser utilizada na hora de uma troca, por exemplo'', destaca Leal.
E para garantir qualidade e eficiência dos motores, a Merdeces não parece ter economizado na estrutura. Ao chegar no laboratório, o visitante já se depara com uma área repleta de motores (antigos e novos), peças de todo tipo e equipamentos que surpreendem. Um deles parece ter vindo de um consultório médico. Através de um cabo com uma microcâmera na ponta e interligado a um computador, os engenheiros do setor fazem uma verdadeira endoscopia do motor. ''A gente consegue avaliar tudo, se foi provocado algum pequeno defeito ou se existe alguma impureza'', explica Leal.
Outro espaço interessante é o dos bancos de provas de motores, onde eles são testados nas mais diversas condições, antes de ser instalados nos veículos de testes. São 11 salas onde os motores trabalham isolados, mas são avaliados a todo momento pelos técnicos. ''Eu consigo avaliar performance, potência, torque, consumo de combustível, nível de emissão de gases do escapamento, taxa de compressão, além de outras diferentes variantes'', explica Salvador Sales, gerente sênior de desenvolvimento de motores pesados.
Sales explica que durante os testes os motores são submetidos a condições extremas e por longos períodos. A nova linha de motores de caminhões e ônibus da Mercedes começou a ser desenvolvida em 2008, de acordo com a assessoria de imprensa. Foram 52 mil horas de testes nos bancos de provas.(J.F.)





