Na tentativa de escapar da multa ou simplesmente para protelar o pagamento da mesma, as pessoas criam as mais diferentes histórias para negar que tenham cometido a infração. Algumas são tão curiosas que se tornam inesquecíveis para quem recebe e julga os recursos. ‘‘Aparece de tudo. Tem gente que não tem a menor vergonha em inventar histórias às vezes até absurdas’’, diz Ruy Pamplona, coordenador de Infrações do Detran.
Ele conta que uma vez um cidadão escreveu no recurso que estava correndo demais porque precisava levar o filho doente ao hospital. Diante de uma suposta veracidade, o agente do Detran que lavrou a multa foi questionado pelo Detran e aí veio a surpresa. ‘‘Isso foi numa cidade do interior do Paraná e o agente disse que o cidadão estava com várias mulheres no carro e, como todo mundo se conhece em cidades pequenas, o agente sabia até que as mulheres eram de uma boate’’.
Mas curioso mesmo é a história contada por Léa Hatschbach, da gerência de Fiscalização da Diretran. Segundo ela, num dos recursos, um cidadão encontrou uma justificativa muito original para negar que estivesse falando ao celular enquanto dirigia. ‘‘Ele justicou que havia sido picado por uma abelha no pescoço e que pegou o controle remoto de sua televisão, que, segundo ele, estava sendo levado ao conserto, para coçar a picada’’.
Há casos também em que a pessoa não age por falta de informação. ‘‘Por exemplo, estacionar o carro numa área de carga e descarga e dizer que foi descarregar uma caixa. Não adianta, porque a área é destinada a veículos de carga mesmo, como caminhões’’, explica Léa Hatschbach.
Mas nem só de histórias engraçadas são compostos os recursos. Em alguns casos, quase metade dos deferimentos, houve erro do agente que lavrou a multa. ‘‘Como ser humano, pode se enganar no número da placa, por exemplo, e aí o deferimento do recurso é certo’’, explica Ruy Pamplona.

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