Descanso para o pé esquerdo
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sábado, 25 de junho de 2011
João Fortes <br> Reportagem Local 
Item de luxo para alguns, indispensável para outros. Independente da opinião, a procura por carros com câmbio automático vem aumentando nas concessionárias. É o que confirma o diretor de vendas da Fiat Marajó, Eduardo Meneguete. Segundo ele, 30% dos carros vendidos pela concessionária tem o acessório. ''Tem uma saída muito grande e por um custo acessível, aproximadamente a partir de R$ 2,5 mil a mais no valor do carro'', explica o diretor.
O aumento nas vendas de veículos com câmbio automático também foi percebido na Metronorte Chevrolet. De acordo com o gerente comercial, Cláudio Felismino, nos últimos três anos houve um aumento de 300% na procura pelo equipamento. Algo que ele relaciona, principalmente, à diminuição do custo. ''Hoje em dia, um carro com câmbio automático chega a custar R$ 4 mil a mais do que o mesmo modelo com câmbio manual. Antes podia custar, em média, R$ 10 mil'', afirma.
O conforto na hora de dirigir é, sem dúvida, a maior vantagem da troca de marchas automática. Enquanto que o sistema mecânico necessita do controle de embreagem e a troca manual de marchas para mudar as rotações do carro, o automático utiliza um sistema elétrico-hidráulico e equipado com sensores para fazer todo o trabalho sozinho. A troca de marchas se torna mais suave e
ao pé esquerdo do motorista resta apenas descansar durante o trajeto. ''Utilizando-se de sensores, o sistema percebe as rotações do veículo e, de acordo com a aceleração, faz a mudança de marcha'', explica João Leal Ferreira, gerente de serviços da Metronorte.
Por não sofrer o impacto pelo esforço do motorista, o câmbio automático exige menos manutenção. A troca de óleo de câmbio, por exemplo, é menos frequente e no caso de algumas marcas, não precisa ser feita. De qualquer maneira é bom prestar atenção no nível e coloração. ''É bom sempre verificar o nível de óleo e a coloração, que deve ser vermelha'', declara Ferreira.
Entre os especialistas uma outra vantagem é unanimidade: O câmbio automático dificilmente precisa de reparos na oficina.
De acordo com o conselheiro master da oficina da Ópera Pegeout, Ericson do Nascimento, quando o item apresenta algum defeito, geralmente foi pelo mau uso de quem está dirigindo. O descuido pode trazer um custo de manutenção muito mais caro do que em um câmbio comum. ''Acontece, às vezes, de a pessoa acelerar de maneira muito brusca, forçando o câmbio a mudar rapidamente a marcha, o que pode desgastar as embreagens internas. Analisando todo tipo de reparo que pode ser feito em um câmbio, no mecânico o valor pode variar entre R$ 1 mil e R$ 2 mil. Já no automático, varia entre R$ 3 mil e R$ 5 mil'', afirma Nascimento, que é especializado em câmbios automáticos pela concessionária.
Quem não está muito acostumado com o equipamento também precisa ter atenção nas frenagens. Muitos modelos não possibilitam a opção de freio motor, aquele onde a velocidade é reduzida apenas pela desaceleração. Dessa maneira, o motorista precisa tomar cuidado para não abusar demais do freio. ''Usar o freio com mais força vai provocar um desgaste maior das pastilhas'', afirma Milton Ruiz, gerente de pós-vendas da Caoa Hyundai.
O consumo maior de combustível é outra consequência que pode ser percebida ao guiar um automático. ''Como usa muito o freio, pode ter um aumento de 2 a 3 litros no consumo'', declara Orlando de Souza, responsável pela oficina da Itiban Suzuki. Já Milton Ruiz lembra que o aumento do consumo de combustível, ''depende também de quem está atrás do volante''.
Saber conduzir corretamente um automóvel com câmbio automático é importante, seja para evitar problemas mecânicos ou para prolongar a vida útil do próprio acessório. ''Câmbio automático de quem já usa há muito tempo tem uma durabilidade muito maior'', afirma Ruiz.
Quem já se acostumou bem com o equipamento pode, inclusive, ter um controle da troca de marchas. É o que explica o gerente de serviços da Metronorte. ''Dependendo da aceleração, o sistema muda a marcha, por isso, se o motorista souber controlar bem o acelerador, consegue definir a troca de marcha que o câmbio vai fazer. Isso pode ser muito útil nas ultrapassagens, por exemplo'', afirma Ferreira.


