Depreciação de um veículo varia conforme sua cor
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domingo, 09 de novembro de 2014
Marcos Martins<br>Especial para a FOLHA 
Escolher a cor de um carro é sempre questão de gosto. Por mais excêntrica que ela seja, o importante é agradar exclusivamente o dono do veículo, que é quem realizou o sonho e vai dirigi-lo por aí. Mas na hora de revender um automóvel, a cor que um dia foi motivo de alegria e realização pode tornar-se um problemão: quem vai comprar um carro dessa cor?
Uma pesquisa realizada no Brasil concluiu que modelos de veículos iguais e com o mesmo ano de fabricação podem ter um nível de desvalorização distinto dependendo da cor. Foram avaliados diversos modelos com preços entre de R$ 20 mil a R$ 40 mil, durante os meses de agosto de 2012 e agosto de 2014. O resultado chama a atenção: entre os sedãs, a cor prata teve a maior desvalorização do período, com média de -10,66%. Na sequência vêm os pretos, com -10,6% e os de cor cinza, com depreciação de -9,95%. A menor desvalorização está entre os veículos de cor azul: -8,45%.
Com -10,49%, os amarelos lideram o ranking de depreciação entre os hatchs, seguido pelos pratas (-10,39%) e pretos (-10,21%). Na outra ponta, brancos e azuis se destacaram desvalorizando menos, cerca de -8,38% e -7,70% em média, respectivamente. Entre os utilitários esportivos, também chamados de SUVs, os números revelaram cinza (-11,09%), prata (-10,03%), preto (-9,15%), azul (-8,81%) e vermelho (-6,96%). Para as picapes, a sequência de cores foi semelhante: cinza (-9,35%), prata (-8,66%), preto (-7,90%), branco (-7,68%) e vermelho (-6,94%). Já entre as minivans, fuja do vermelho, com desvalorização de até -13,38%. Na sequência aparecem preto (-12,49%), prata (-12,03%), cinza (-10,92%), azul (-8,58%) e branco (-5,30%). Por fim, o último segmento avaliado foi o das peruas. Os resultados trouxeram cinza (-11,61%), preto (-11,26%), prata (-11,24%), branco (-10,50%), vermelho (-10,31%) e azul (-8,85%) como as cores mais desvalorizadas.
"A influência da cor de um carro no quesito desvalorização depende unicamente do modelo. Uma cor amarela em um sedã, por exemplo, faz com que ele fique parado por mais tempo na loja, já que o público que procura um carro assim não costuma escolher uma cor como essa. Se está parado, o preço precisa cair para atrair um comprador. Agora se essa cor está em um veículo esportivo, como as linhas off
road, que têm um perfil de clientes mais jovens e arrojados, vai vender com mais facilidade e com maior preço, já que a procura é grande. É isso que regula o mercado", explica o sócio-proprietário da Rotta8 Veículos, Tiago Carniel.
Os números do levantamento avaliaram a média da frota nacional, não levando em conta peculiaridades de cidades específicas, em que determinada cor é associada a uma marca ou segmento local. As cores laranja em Curitiba e amarela no Rio de Janeiro, por exemplo, identificam os táxis, o que rapidamente leva o possível comprador a associar carros dessas cores ao transporte de passageiros.
"O local onde o veículo é negociado é outro fator a ser considerado, já que uma determinada cor pode ser considerada comum em diversas regiões do país, mas estar de uma certa forma 'contaminada' em uma cidade específica. Até isso o consumidor precisa levar em conta na hora de fechar um negócio", avalia o corretor de automóveis Cláudio Nascimento.


