Deficientes superam dificuldades
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sábado, 19 de julho de 2003
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Comprar um carro, tirar carteira de habilitação, dirigir. Tarefas simples e comuns? Para a maioria das pessoas sim. No entanto, para uma parcela da população com algum tipo de deficiência física, as ações se tornam um pouco mais difícies e até mesmo burocráticas. Conseguir a carteira de habilitação, por exemplo, requer exames médicos e aulas de trânsito especiais. Além da necessidade de realizar algumas adaptações no veículo.
Segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), o número de portadores de deficiência que possuem carteira de habilitação em Londrina chega a 363 pessoas. Em todo o Estado, 4.854 deficientes estão habilitados. O presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), Orlando Reis, salienta que a possibilidade de dirigir depende muito do tipo de deficiência da pessoa, do interesse e da força de vontade. ''Eles enfrentam algumas dificuldades no dia-a-dia, mas dirigir é uma vitória'', comenta.
Claudines Bartolomeu, 33 anos, sofreu um acidente de moto, há 12 anos, que o deixou tetraplégico. O problema, no entanto, não impediu que depois de algum tempo, muita fisioterapia e força de vontade, recuperasse o movimento dos braços e voltasse a dirigir. ''Depois de muito tempo me senti livre'', confessou.
Para realizar esse sonho, entretanto, o rapaz precisou fazer algumas adaptações no veículo e aulas especiais de trânsito. O carro, segundo ele, já tinha câmbio automático e foi necessário adaptar apenas uma alavanca com freio e acelerador, do lado esquerdo do volante. As adaptações foram feitas em uma oficina não especializada, e o rapaz pagou cerca de R$ 200,00, por elas. ''Na época (1998), não havia oficina especializada na cidade'', lembrou. Além disso, para realizar o exame médico que autoriza o deficiente a dirigir, ele teve que ir para Curitiba, pois em Londrina não havia médico especializado no Detran.
O técnico em processamento de dados, Nilson José Nunes, 30, vive uma experiência parecida com a de Bartolomeu. Depois de sofrer um acidente em 1992 e ficar paraplégico, Nunes não se intimidou com o problema e três anos mais tarde estava dirigindo seu próprio carro. ''Essa atividade me devolveu a liberdade de ir e vir, como qualquer outra pessoa'', contou aliviado. O carro de Nunes também foi adaptado em uma oficina não especializada e a carteira de habilitação só saiu depois dele ir para Curitiba.
Para facilitar a vida das pessoas que precisam de adaptações automotivas, há dois anos, duas oficinas na cidade trabalham com esses serviços. O chefe de uma oficina, Wilson Eugênio Lisboa, revelou que existem mais de 20 kits de peças usadas nas adaptações de veículos. Toda mudança no carro, segundo ele, é realizada conforme necessidade do cliente ou de acordo com a indicação do médico do Detran.
Um entrave para os portadores de deficiência, no entanto, é o custo dessas adaptações. A embreagem automática, uma peça bastante utilizada, chega a custar mais de R$ 2 mil.
A diretora comercial da Cavenaghi, empresa especializada em adaptações veiculares, Mônica Lupatin Cavenaghi, comentou que a empresa trabalha há 35 anos nesse ramo e dispõe de 17 peças produzidas de série para deficiências ''padrão'', como a paraplegia. Além disso, conta com um serviço para projetos especiais. ''Nós fazemos uma análise da necessidade de cada pessoa e em cima disso realizamos as adaptações'', explicou.
Segundo Mônica, a Cavenaghi, conta com uma equipe, entre terapeuta ocupacional e desenhista industrial, que atende pessoalmente os casos especiais. ''Já tivemos situações em que a pessoa tinha a perna direita e o braço esquerdo amputados e precisamos de uma adaptação diferente'', exemplificou a diretora comercial. A peça mais simples e também a mais em conta é a inversão do acelerador, que custa R$ 283,00.


