De pai para filho
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de setembro de 2010
Kalinka Amorim<BR> Reportagem Local 
A placa BAB 1952, não só relembra o ano de origem de fabricação do Chevrolet, como também, a memória de seu primeiro dono: Júlio Giovannetti. O carro é uma relíquia, guardado e cuidado com todo o carinho pelo filho, o cartorário Homero dos Santos Giovannetti. Ele não se considera um colecionador, mas sim um aficionado por carros. ''Quem gosta de carro gosta desde menino. As paixões vêm da infância. Fui concessionário Chevrolet entre as décadas de 70 e 80 e já era aficionado por carros'', comenta.
A herança deixada pelo pai ao filho não foi só o veículo. Ele herdou também o gosto por cuidar e colecionar carros. ''Ele (o pai) era muito cuidadoso. Logo que chegava da fazenda, lavava e lubrificava os carros. Vendo o que ele fazia passei a ter gosto e cuidado, como meu pai tinha'', conta, emocionado. O que agora virou hábito, na juventude podia ser encarado como barganha: para poder dar uma ''voltinha'' nos carrões do pai era preciso algum esforço. ''Quando a gente era mocinho, só podíamos andar no carro se lavasse, encerasse e lubrificasse'', lembra o cartorário.
A paixão por carros estava arraigada e não tardou até que Giovannetti tivesse o seu ''primeiro exemplar''. Jovem, quando se formou em Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Curitiba, realizou o seu sonho. ''Quando um filho se formava meu pai dava como uma recompensa um Volkswagem (Fusca), mas eu não quis mesmo sendo um presente'', conta. A negativa tinha uma explicação, digamos, mais esportiva. Ele optou por um modelo cobiçado da época: um Karmann Ghia.
''Meu pai me deu a quantia equivalente em dinheiro e dei entrada em um Karmann Guia branco 66/67, era o sonho de todo o jovem da época. Esse foi o carro que me levou a ter vontade de ter outros na garagem'', salienta. E, naturalmente, isso ocorreu. Depois vieram um Camaro RS68 e o Oldsmobile Cutles, da Chevrolet. ''Este era branco com estofamento azul, uma 'teteia''', brinca.
Originalidade
Atualmente, o Chevrolet 1952 para ser original só falta o vidro, segundo o proprietário. ''Esse carro é o primeiro fast back da história'', conta, acrescentando que o veículo tem um design que remete ''a uma turbina de avião''. No entanto, esse não é o único modelo que ''enfeita'' a sua garagem. Ele apresentou à reportagem um Puma e uma Mercedes-Benz 280F, ambos originais e com o mesmo ano de fabricação: 1979.
A Mercedes 280F, de cor marron bronze metálico, foi adquirida há nove anos. Na sua opinião, o veículo por si só já é uma história. ''É a mesma (Mercedes) que participou das gravações do filme de ação policial 'Ronin'. Vi no filme - gostei tanto da história quanto do carro - e quando soube que um amigo estava trazendo o carro de Minas Gerais, comprei'', conta o cartorário.
A última aquisição feita recentemente foi enquanto realizava a revisão de um dos carros em Londrina. ''Foi uma oportunidade. Não podia perder a chance de ter um jipe azul metálico 1962 preparado, muito charmoso e muito bem feito'', justifica. Atualmente em sua ''pequena'' coleção, além dos carros já mencionados, ele tem uma Mercedes-Benz SL 500 com capota rígida e de lona, elétrica e hidropneumática; um Porsche 2006; um jipe 1962, uma Toyota 1964; e uma BMW 325i, 2006.
Giovannetti espera que seu filho - que leva seu nome - também seja um aficionado por carros. Ele já presenteou Homerinho, que tem apenas 4 anos, com uma réplica elétrica de uma BMW Z4. ''As paixões você vai passando. Brinco com ele que já comprei o Porsche para ele, mas que ele só vai usar quando tiver 18 anos'', diz.


