Curitiba - O norte-americano Henry Ford mudou conceitos e a vida de muita gente quando decidiu fabricar automóveis práticos e acessíveis, estabelecendo, no começo do século 20, novos padrões de processo industrial. O empresário que criou a Ford e ajudou a tornar a cidade de Detroit (EUA) o centro da indústria automobilística da América fez fãs em todo o mundo e várias gerações foram influenciadas pelos automóveis criados pela fábrica que leva o seu nome. É o caso da bancária curitibana Mirian Buso, vice-presidente do Clube Feminino de Automóveis Antigos e Especiais do Paraná/Clube Elas. Mirian é dona de dois "Fords" antigos, um Coupé 1940 e uma Carretera, automóveis que fazem parte da história da família da curitibana.
A bancária conta que quando nasceu, o pai dela, o piloto Paulo José Buso, estava correndo em um Ford Coupé no Grande Prêmio Getúlio Vargas, que marcou a inauguração da Via Dutra, entre São Paulo e Rio de Janeiro, em 1951. É semelhante ao Coupé que Mirian comprou há 13 anos.
Paulo Buso, que faleceu em 2002, foi referência no automobilismo paranaense na década de 1950. É a Carretera usada pelo pai em várias competições o segundo carro antigo cuidadosamente conservado na garagem de Mirian. Para quem não sabe, as Carreteras eram modelos com motores poderosos e chassis reforçados que dominavam as competições automobilísticas brasileiras de 1950 a 1960. A modalidade chegou por aqui vinda da Argentina, conta Mirian. Paulo Buso foi tri-campeão paranaense de automobilismo.
A bancária diz que descobriu a paixão pelo antigomobilismo depois da morte do pai, quando ele foi homenageado por entidades ligadas ao automobilismo. O Coupé 1940 foi comprado por Mirian no ano de 2002 em Florianópolis (SC) e estava bem danificado. "O carro ficou guardado um ano e em setembro de 2003 eu comecei a lidar com ele. Refiz o carro inteiro", conta. O motor V8 veio de um Maverick 1974. O Coupé ganhou mecânica, lataria, pintura e estofamento novos. O preço da reforma, Mirian não revela. "Dizem que gosto não tem preço", disfarça.
Duas vezes por semana, ela liga os motores por alguns minutos e uma vez por semana a bancária tira os automóveis antigos da garagem para uma volta por Curitiba. Eles chamam a atenção por onde passam e, além de Mirian, só os mecânicos que cuidam deles podem ter a satisfação de dirigi-los. No caso do Coupé, a vice-presidente do Clube Elas já recebeu várias propostas de compra e ela não revela os valores oferecidos. "Eu nem me interesso muito", diverte-se, lembrando que o amor pelo carro "está no sangue". Mirian tem um terceiro automóvel, que usa no dia a dia. É um Fiesta, também da Ford.

mockup