Das ruas para as pistas
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sábado, 28 de agosto de 2010
Reportagem Local 
Os caminhões da Fórmula Truck rasgando as retas dos autódromos brasileiros a mais de 200 km/h impressionam mesmo os mais acostumados com a velocidade nas pistas. Afinal, ver os brutos com mais de quatro toneladas em uma performance digna de carro de corrida é algo raro. Há apenas duas categorias no mundo com este perfil: a sul-americana e a Truck europeia.
E a categoria nacional é a considerada mais competitiva e de maior importância no cenário do automobilismo mundial. ''Nosso caminhão só tem limite de velocidade na reta dos boxes, enquanto a européia está limitada a 160 km/h em todo o circuito'', diz Felipe Giaffone, atual campeão da Fórmula Truck e dono do título de 2007.
O desenvolvimento tecnológico na categoria brasileira tem uma explicação: o envolvimento das montadoras. ''A Fórmula Truck é uma ferramenta importante de divulgação da marca. Intensificamos nossas ações de forma significativa a partir de 2006, com a presença da família Constellation e o apoio da engenharia da fábrica no desenvolvimento dos veículos de competição'', explica Rodrigo Chaves, gerente de engenharia da Volkswagen Caminhões e Ônibus.
A dedicação teve resultado imediato na pista: o time oficial venceu os campeonatos de 2006 (com Renato Martins), 2007 e 2009 (ambos com Felipe Giaffone). Em Caruaru (BA), no ano passado, o time chegou a colocar três caminhões Volkswagen Constellation nas três primeiras colocações: Felipe Giaffone venceu, seguido por seus companheiros de equipe Valmir Benavides (em segundo) e Renato Martins (em terceiro). Neste ano, Benavides lidera o campeonato de pilotos.
A parceria da Volkswagen com seus fornecedores permitiu até mesmo o desenvolvimento de peças sob medida para a suspensão. Coube à engenharia da fábrica propor soluções e, aos fornecedores, desenvolvê-las, transformando ideias em realidade. A tecnologia desenvolvida para as pistas não fica restrita aos autódromos. Entre essas soluções está o desenvolvimento da injeção de combustível mais precisa e de sistemas de pós-tratamento de gases.
Durante as temporadas passadas, ainda com o VW 18.310, a engenharia da Volkswagen redesenhou o sistema de refrigeração para assegurar durabilidade adequada mesmo em condições severas, como as altas temperaturas alcançadas durante as corridas. O conhecimento obtido com essa experiência já foi levado para os veículos exportados à Arábia Saudita, país com condições geográficas rigorosas para o uso de veículos comerciais, com temperaturas que podem atingir 55º C.


