Das ruas para a pista
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sábado, 04 de outubro de 2014
Cecília França<br> Reportagem Local 
Quinze dias de trabalho ininterrupto foram necessários para transformar um Focus Sedan no carro de competição de César Bonilha, piloto da Copa Petrobras de Marcas. Do original, resta apenas o monobloco, a "casca da lataria", todo o resto foi transformado. O campeonato nacional reúne cinco montadoras - Ford, Toyota, Chevrolet, Honda e Mitsubishi -, cada uma representada nas pistas por seu respectivo modelo de sedã médio. O londrinense integra a equipe Baterias Júpiter Racing Team, ao lado do piloto Carlos Souza.
A intensa adesivagem e os apliques nos para-choques e para-lamas mal permitem reconhecer o modelo do carro. Bonilha conta que foram 15 dias de trabalho, dia e noite, na oficina da equipe, em Londrina, para deixar o sedã pronto para as altas velocidades das pistas. Por dentro, nenhum resquício do original. Nada de bancos, pedais ou volante tradicionais. A forração de carbono ajuda a diminuir o peso do carro até os 1.070 quilos. Para se ter uma ideia, o veículo de rua chega a pesar 1.414 quilos.
A adaptação do motor não foi feita pela equipe. O bloco Duratec 16V de quatro cilindros, fabricado na Argentina, é o mesmo que equipa o Fusion, outro modelo da marca, mas com alterações para aumento de potência e resistência. Ele chega lacrado à equipe para garantir a preservação das características exigidas no campeonato. Enquanto o Focus "de rua" tem potência máxima de 175 cv, o das pistas entrega 280 cv.
Todas as alterações são necessárias para que o carro suporte com segurança acelerações constantes e uma velocidade de até 233 km/h, a maior atingida por Bonilha durante o campeonato, no circuito de Goiânia (GO). Suspensão, rodas aro 18 e freios são os mesmos utilizados na Stock Car. O pneu de 10 polegadas também é mais leve e mais resistente que os comuns.
Piloto de carros há 12 anos, Bonilha começou correndo com motos e depois passou para o kart. Em 2008 foi campeão brasileiro de Endurance. De acordo com ele, existem campeonatos monomarcas em que o fabricante coloca os carros na pista com menos alterações em relação às exigidas pela Copa Petrobras, mesmo assim, não há como abrir mão da "gaiola de sobrevivência", dos bancos corretos, cintos e freios reforçados.
"O freio ABS com EBD normal (obrigatório em todos os veículos atualmente) é tão bom quando este, mas com duas voltas desgastaria; esse tem alterações para manter a mesma proporção de frenagem por duas, três horas de corrida", explica o piloto. A penúltima etapa da Copa Petrobras 2014 será disputada em São José dos Pinhais, no dia 19 de outubro. Cada etapa é composta de duas corridas. A julgar pela qualidade do carro, Bonilha acredita ter chances de terminar o campeonato no pódio.
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