CULTURA URBANA - Customização e estilo de vida
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de outubro de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local
Carros que chamam a atenção por onde passam, seja pela escolha de peças de diferentes automóveis todas em apenas uma máquina ou ainda por conservar toda a originalidade de um veículo. A Kultura Kustom (o uso do K ao invés do C, segundo alguns adeptos, sintetiza a busca pela mudança idealizada pelo grupo) nasceu nos Estados Unidos entre as décadas de 40 e 50 e se divide em vários segmentos, entre eles os estilos rat rod e o hot rod.
O designer Thiago Marques, poprietário de um Ford Victoria 1954, diz que mantém seu carro na customização rat, que preza por uma estética mais ''crua'' do automóvel. ''O rat rod tem uma estética mais enferrujada, mas com um motor bom e peças da época e sem fazer muitas alterações no carro. O hot já é diferente, o dono quer deixar o carro bonitinho'', diferencia.
Ele esclarece, no entanto, que o estilo despojado dos rats não quer dizer que a pessoa pode buscar qualquer automóvel em um ferro-velho e achar que já está incorporada a esta cultura urbana. ''Nós estamos mais preocupados em usar o carro do que deixá-lo todo arrumado como fazem os restauradores. Mas estamos sempre mexendo em alguma coisa; o carro conta muito da personalidade do dono'', explica.
No Ford Victoria de Marques é possível perceber pneus com faixa branca no estilo dos anos 50, o motor V8 272, com as três marchas mais a ré na coluna. Na escolha das cores está o diferencial. O designer conta que os carros desta linha da Ford eram feitos em sua maioria na cor pastel, que no caso de Marques foi substituída por preto. A mesma tonalidade foi adotada nos bancos, mesclando com um vermelho cereja. ''Gosto mais de preto, tem mais a ver comigo. É isto que faz quem curte customização'', aponta ele, enfatizando que o veículo precisa representar o que pensa o seu proprietário.
Outra alteração significativa está no teto que, embora permaneça branco, a pintura não é feita direto na lataria, mas em um material de vinil.
Designer por formação, Marques mantém hoje uma confeitaria e conta que às vezes é surpreendido por clientes e pessoas na rua que o questionam quanto aos cuidados com o carro. ''Muitos me dizem que eu deveria reformar, mas na verdade o que ocorre é que não conhecem o estilo rat e não entendem que o carro está assim porque eu quero e farei nele as alterações que achar que devo'', defende.
Amigo de Marques, Felipe Afonso Rodrigues também é adepto do universo da customização, mas pretende montar um veículo no estilo hot - que consiste na união de peças de carros de diferentes marcas e épocas. Em desenvolvimento, Rodrigues tem a carcaça de um Willys 1927, o motor do Aero Willys seis cilindros de dupla carburação, de 1965, e a suspensão de um Ford 1929. ''Ainda faltam alguns detalhes. Diferentemente do estilo rat, a estética que buscamos é de algo que chama a atenção justamente pela mistura de peças'', explica.
Mas não são apenas os carros antigos que fazem a cabeça dos customizadores, seja no estilo rat ou hot. A atitude deste grupo está nas roupas, nas tatuagens e no estilo musical - remetendo ao rock predominante na década de 50, quando a cultura ganhava força, como por exemplo o Rockabilly. ''A cultura custom é um estilo de vida'', destaca Rodrigues.