Um crime ao qual qualquer motorista está sujeito, a clonagem de veículos é prática comum em todo o Brasil. Porém, medidas básicas podem evitar que um automóvel seja reproduzido por criminosos.
De acordo com o delegado adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Manoel Angelo Martins Pelisson, basicamente a clonagem consiste em utilizar uma placa automotiva idêntica de outro veículo de mesmo modelo e aproveitá-lo na prática de crimes.
Pelisson explica, no entanto, que além das placas, peças como o motor, vidro e o chassi do veículo também podem ser clonados. ''As placas são as mais comuns porque esses carros são usados para deslocamento. Se há uma consulta de placa onde a placa consultada confere com o modelo existente nos registros o automóvel acaba sendo liberado'', esclarece.
Já as clonagens completas - placas, vidros, motor e chassi - são realizadas com outro objetivo: a venda do carro clonado. Conforme Pelisson, as quadrilhas em geral adquirem os veículos, fazem as alterações e os revendem a um alto custo. Ao comprador, quando o crime é descoberto, resta entregar o veículo, por isso é importante se cercar de informações antes de fechar o negócio. ''Quem comprou o carro não tem outra saída senão entregá-lo à polícia e perderá todo o valor investido'', alerta.
Entre as medidas básicas para não ser vítima da clonagem, estão buscar referência sobre o veículo e seu antigo proprietário, solicitar o manual e a chave reserva do carro, buscar detalhes do documento junto ao Departamento de Trânsito (Detran) e ainda conferir se o número do chassi presente na documentação confere com o número da peça do veículo. ''Isso não garante que o cidadão não será vítima, mas reduz bastante a possibilidade de cair no golpe'', orienta.
Já quem teve seu automóvel clonado precisa registrar um boletim de ocorrência, sugere o delegado. ''Geralmente ele (o dono do veículo) vai descobrir que a placa foi clonada quando começam a aparecer multas vindas de lugares onde não esteve. Nesses casos é fundamental registrar o B.O., entrar com recurso no Detran e ainda andar com uma cópia dele no automóvel, porque toda vez que for parado precisará comprovar que é o proprietário do veículo e não o criminoso'', aconselha.
Embora exista um aumento na produção de veículos, em Londrina, segundo Pelisson, o crime de clonagem não tem ocorrido com frequência. Ainda de acordo com o delegado, quem for detido cometendo o crime pode ser enquadrado em dois artigos do Código Penal: o 180, que trata da receptação de veículo e tem pena prevista de três a oito anos, e o 311, que fala da adulteração de sinal idenficador de tansporte automotor, com pena de três a seis anos.
Fiscalização
No caso de placas automotivas, Pelisson alerta que as empresas responsáveis por sua produção recebem alteração prévia do Detran e um número de registro, mas quando são clonadas, as quadrilhas suprimem esse código, inpedindo a polícia de chegar ao fabricante. ''As placas, às vezes, podem ser clonadas dentro das próprias empresas por algum funcionário mal intencionado ou mesmo por quadrilhas que tenham esses equipamentos e fica difícil apurar a origem do crime'', lamenta.
Coordenador de Veículos do Detran, Cícero Pereira da Silva informa que atualmente 163 empresas são credenciadas para a produção de placas. A fiscalização, conforme ele é feita regularmente. ''Toda placa confeccionada é informada ao Detran, e as placas que não passam por esse processo são feitas de placa clandestina. A fiscalização existe, mas fica difícil apontar como acontece todo esse processo, porque controlamos a confecção mas não a matéria-prima'', afirma.
Embora tanto a Polícia quanto o Detran reconheçam o problema, Pereira da Silva desconhece a existência de uma parceria entre as partes visando a ampliação da fiscalização. Ele esclarece ainda que nenhuma autorização para fabricantes tem sido produzida atualmente visando a reestruturação do sistema. ''Estamos estudando mudanças no credenciamento, por isso, hoje ele está suspenso'', finaliza.

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