Cuidado com o combustível adulterado
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sábado, 11 de setembro de 2010
Renato Oliveira<BR> Reportagem Local 
O combustível pode ser a fonte de problemas mecânicos desconhecidos em carros e motos. Se não forem a fonte, podem agravar os já existentes. À gasolina os golpistas costumam misturar solventes e álcool em excesso. No caso do álcool - ou etanol - há quem dilua com água. Especialistas dão dicas para prevenir golpes e orientam os consumidores sobre os problemas operacionais que podem violar a qualidade do combustível que vai no tanque do seu carro.
Segundo o especialista em combustíveis, Olívio Fernandes Galão, a melhor opção é evitar os chamados postos de ''bandeira branca'', ou independentes. ''O mais recomendado é abastecer em postos de bandeira'', aconselha ele que também é professor de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Segundo levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), dos 73 postos autuados no último relatório de fiscalização no Paraná, em agosto, 40 eram de bandeira branca.
Galão conta que as fraudes de combustíveis mais comuns são a adição de solvente de borracha e álcool em excesso à gasolina. Ele explica que no primeiro caso ocorre uma redução na octanagem (que mede a qualidade por meio da capacidade de combustão) e causa problemas no motor. ''Não chega a fundir, mas gera problemas de regulagem nas válvulas e bateção de pinos'', explica.
A mistura de álcool em excesso nos carros flex não acarreta riscos de problemas mecânicos. ''Mas se for motor a gasolina o gasto salta de de 12 km/l para a proporção de 5 km/l. Também acontece do motorista pisar e o carro não responder'', diz.
Quando o consumidor não consegue evitar o consumo de combustível adulterado é importante prestar atenção em possíveis ruídos no motor. Segundo Alcides Gonçalves, professor de mecânica do Serviço Nacional da Indústria (Senai), existe uma série de problemas oriundos do uso de gasolina ou álcool ''batizados''.
''O motor não funciona bem. Quando o motorista acelera pedindo potência, ele não responde. Em carros com injeção eletrônica ocorre o entupimento dos bicos. E no motor ocorre a chamada formação de borra. Isso chega a diluir o óleo no motor reduzindo sua vida útil'', argumenta Gonaçalves.
Ele explica que nos carros com caburador o reflexo negativo é ainda maior. ''A injeção ainda controla a entrada dos resíduos. No carburador o combustível passa direto'', compara. Gonçalves ressalta que deveriam existir kits para se realizar testes de qualidade antes do motorista abastecer, em caso de desconfiança. ''Só assim para saber o nível de adulteração. Mas normalmente quando o motorista sentir o motor falhar ou perder rendimento tem algum tipo de problema'', conta.


