Todo motorista já está acostumado a deixar o frentista colocar um "chorinho" de combustível no tanque após ouvir o clic que indica o travamento da bomba nos postos. Mas o que poucos sabem é que estes litros a mais podem comprometer o bom funcionamento do carro.
Segundo o analista técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi) Emerson Farias, encher o tanque "até a boca" atrapalha o desempenho de um componente importante do veículo: o cânister.
O cânister é uma peça em formato cilíndrico instalada entre o tanque de combustível e o sistema de admissão do motor que tem por objetivo filtrar vapores para favorecer a redução na emissão de gases prejudiciais produzidos durante a queima de combustível.
Farias explica que o componente localiza-se na parte superior do tanque e é ligado até o motor por uma mangueira que "puxa" os gases provenientes do combustível. Ao chegar ao cânister, os gases são filtrados e armazenados. "Quando o motor necessita, o cânister libera esses gases para a câmara de combustão", completa o especialista.
Conforme ele, dentro do cânister há carvões ativados, responsáveis pela filtragem dos gases. "Se o frentista enche o tanque além da capacidade, corre-se o risco de entrar combustível líquido na mangueira. Esse líquido pode molhar o cânister e soltar os carvões ativados", explica.
Uma vez liberadas, as partículas de carvão podem acessar o motor e queimar dentro da câmara de combustão. "Numa situação severa, o carvão no motor pode riscar o cilindro do pistão ou queimar a cabeça do pistão", cita o analista do Cesvi.
De acordo com ele, as montadoras costumam informar 10% menos da capacidade máxima do tanque de combustível para evitar que o líquido chegue ao cânister.
"Encher até a boca ocorre por inúmeras situações, seja para arredondar o preço, para facilitar o troco, etc. O ideal é parar de colocar combustível assim que acontecer o travamento da bomba", reitera Farias.
Ele destaca que algum problema no sistema pode ser detectado quando o dono do veículo sentir um cheiro forte de combustível. "A mangueira que liga o cânister ao sistema de admissão pode ter se rompido, provocando o vazamento de combustível em forma de gás."
Farias lembra que o cânister foi criado para atender a lei 19/86 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), de 1989, a qual previa que os veículos deviam apresentar um dispositivo para controlar a evaporação de combustível que permitisse o controle da emissão de gases poluentes na atmosfera. "Sem o cânister, o vapor era solto na atmosfera."

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