Crise energética ajudou empresa a produzir mais
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sábado, 28 de julho de 2001
De Foz do Iguaçu 
Os problemas que as grandes empresas vêm enfrentando nos últimos meses não afetaram o bom desempenho da Scania no País. Para o diretor geral no Brasil, Flávio Mermejo, a crise energética brasileira impôs novos diretrizes na produção e nos investimentos, mas também auxiliou a empresa em um setor até pouco tempo desvalorizado: a fabricação de motor para geradores de energia.
O anúncio do possível apagão na Região Sudeste (onde está o principal parque de veículos automotores) obrigou a Scania a reinvestir cerca de US$ 750 mil em suas instalações. Em compensação, a venda de motores para fábricas terceirizadas que produzem geradores de médio e grande porte tem apontado números nunca antes imaginados. Somente uma das empresas conveniadas encomendou 300 unidades para o mês de agosto. Tempos atrás, o pedido não ultrapassava os 40, destacou Mermejo, lembrando ainda que as férias coletivas oferecidas aos encarregados da produção de veículos, não se estenderam ao setor de motores.
Sobre a crise da Argentina, o diretor comentou que a Scania Latin América está tendo problemas com volume de negócios e de preços dos caminhões pesados no país vizinho. No Chile e demais países do Mercosul, a situação é considerada normal, apesar de o Brasil registrar baixos preços de comercialização. No mercado brasileiro, o preço é inferior a qualquer outro praticado no mundo. Ruim para nós e nossos concorrentes, melhor para o caminhoneiro, salientou Mermejo, avaliando o preço médio de um veículo pesado no Brasil em US$ 50 mil. Nos Estados Unidos, o valor não consegue ser inferior a US$ 95 mil.
Sobre o alto índice de inadimplência apontado pelos bancos no financiamento de automotores, o diretor concordou que os números são reflexos das incertezas que rondam o país, mas destacou que a falta de pagamento dos débitos está centralizada nas compras de carros de passeio. Pergunte ao setor (bancário) qual deles perdeu dinheiro com os caminhoneiros? Entre os compradores da Scania, o índice de inadimplentes é praticamente zero, brincou Mermejo.(E.D.)


