Criador de tendências
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domingo, 01 de fevereiro de 2015
Marcos Martins<br>Especial para a FOLHA 
Quando tinha três anos de idade, Célio vivia na oficina de funilaria e pintura do avô. Aos 16, seguia com o hábito, mas no espaço de pintura que o pai havia montado. A rotina intensificava a paixão por motos que, dois anos depois, ao completar a maioridade, o levou a comprar a primeira motocicleta. Na época, o dinheiro era curto. A criatividade, não. E a vontade de ter um capacete diferente dos demais fez com que o garoto comprasse alguns materiais e customizasse um modelo. Pronto. Os amigos gostaram, começaram a pedir e, quando se deu conta, ele já estava preparando mais de 300 capacetes customizados por mês. Começava ali a história do curitibano Célio Dobrucki, considerado hoje um pioneiro no mercado de customização de motos no Brasil.
Em 1996, quando a Harley-Davidson chegou a Curitiba, ele passou a pintar alguns modelos para a loja. Não demorou a abrir uma oficina exclusiva, especializada no serviço que crescia a cada dia. De lá pra cá foram mais de 300 motos personalizadas, nos mais variados estilos. Modelos únicos que deixam os clientes impressionados e satisfeitos. Ser visto como referência no setor atualmente é uma grande responsabilidade. "Há muita gente entrando no mercado, então os concorrentes se destacam e você precisa se reinventar para não ficar para trás. Não dá para se acomodar, é um desafio e tanto", resume.
Na hora de customizar um modelo, Dobrucki gosta de observar o cliente. "Presto muita atenção nele, no estilo, no que diz, as coisas que gosta, as viagens que já fez, o tipo de música que curte. Quando começamos a conversar ele nem percebe, mas já comecei a traçar minha estratégia para a definir o trabalho que será feito na moto", brinca.
Se o dono da motocicleta está indeciso no que busca, ele aproveita o espaço. "Invento, surpreendo, mas só mostro o resultado final, depois de tudo pronto. Nada antes, nenhuma prévia. Existe um risco dele não gostar, mas até hoje isso nunca aconteceu", revela. "É um vício. Você quer sempre se superar, criar coisas novas. O impulso é diário", complementa.
A pintura é o principal diferencial, mas itens como escapamento, guidão e manoplas ganham atenção. Os clientes são hoje principalmente do Sul do Brasil e gastam a partir de R$ 4 mil. Limite não existe e depende do objetivo. Há modelos em que a personalização custou R$ 150 mil.
O trabalho que mais enche Dobrucki de orgulho foi colocado em exposição durante a segunda edição da Brasil Motorcycle Show, em Curitiba, no final de novembro. "Fiz inteira. Mudei tudo nela e levei seis meses para terminar. Com exceção do motor, ela ficou totalmente diferente", revela. O modelo foi arrematado por um dos organizadores do evento. O preço não foi divulgado.
O valor sentimental das criações de Dobrucki definitivamente é grande. "São como filhos. Cada um com sua característica, seus destaques, seus diferenciais, mas todos muito amados. São pensados sempre na satisfação do cliente, mas acabo olhando todas as customizações como filhos que vão para o mundo afora", reflete.


